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ARTIGO
Quinta-feira, 06 de Maio de 2010, 21h:51

VICENTE VUOLO

O ícone Milton Santos

A Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados realizou no último dia 04, o Seminário MILTON SANTOS – VIDA E OBRA, a partir de Requerimento apresentado pela Deputada Lídice da Mata, em homenagem ao geógrafo e cientista baiano. O Evento contou com a participação de uma platéia seleta, entre parlamentares, professores, estudantes da UnB e estudiosos permanentes de sua obra. O objetivo principal do Encontro foi discutir e analisar a obra e o pensamento de um dos mais importantes intelectuais brasileiros sob as perspectivas da teoria geográfica, da globalização, da negritude, levando em conta os seus aspectos econômicos, políticos e sociais. Dentre os conferencistas, deve-se destacar a participação de Fernando Costa da Conceição (Professor da Universidade Federal da Bahia – UFBA e Biógrafo Oficial da obra de Milton Santos), Aldo Aloísio Dantas (Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN), Marília Luiza Peluzo (Professora Chefe do Departamento de Geografia da Universidade de Brasília - UnB) e a Senadora Fátima Cleide (Presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal). Para a organizadora do Seminário Deputada Lídice da Mata, Milton foi um exemplo, “um brasileiro negro que não só superou preconceitos de cor e de classe social, mas que também foi pioneiro na análise crítica da globalização e suas conseqüências desiguais para grande parcela da população mundial”. Os seus ensinamentos trouxeram uma visão mais humana da Geografia e, sobretudo, uma visão crítica de que a Geografia não é só acidente geográfico. Ele deu uma abordagem inovadora sobre o conceito de espaço, de território onde todos se encontram, com novas tecnologias, com novas características para se tornar um conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações. Sem dúvida, Milton Santos foi um homem à frente de seu tempo. Ele nasceu no município baiano de Brotas de Macaúbas em 1926 para entrar para a história. Aos 13 anos já dava aulas de matemática. Aos 15, passou a lecionar Geografia. Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA), chegando a ser eleito vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Formou-se em Direito em 1948. Em Ilhéus, foi professor catedrático no Colégio Municipal, tendo também, se dedicado à atividade jornalística, estreitando sua amizade com políticos de esquerda. Em Salvador, tornou-se professor na Faculdade Católica de Filosofia e editoria lista do Jornal “A Tarde”, onde publicou diversos artigos de Geografia. Em 1958, concluiu doutorado (com a tese “O Centro da Cidade de Salvador”) na Universidade de Estrasburgo (França). Tendo viajado pela Europa e pela África, publicou em 1960 o estudo “Mariana em Preto e Branco”. Ao regressar ao Brasil, criou o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais na Universidade Federal da Bahia. Em 1961, o Presidente Jânio Quadros o nomeia para a subchefia do Gabinete Civil, tendo viajado a Cuba com a comitiva presidencial, o que lhe valeu registro nos órgãos de segurança nacional. Com o Golpe militar de 1964, Milton Santos foi preso e exilado por 13 anos. Nesse período, como convidado, ele lecionou durante três anos na Universidade de Toulouse (França). Na década de 1970 estudou e trabalhou em Universidades no Peru, na Venezuela e nos Estados Unidos, onde foi pesquisador no Massachusetts Institute of Technology (MIT). No MIT trabalhou em sua grande obra “O Espaço Dividido”, considerado um clássico mundial, onde ele desenvolve uma teoria sobre o desenvolvimento urbano nos países subdesenvolvidos. Retornou ao Brasil em 1977, quando publicou a obra “Por uma Geografia Nova”. Anos depois galgou o posto de professor da Universidade de São Paulo (USP). Embora pouco conhecido fora do meio acadêmico, Santos alcançou reconhecimento internacional, tendo recebido, em 1994, o Prêmio VAUTRIN LUD, conferido por universidades de 50 países. Ao finalizar, dedico este artigo aos geógrafos de Mato Grosso na pessoa do Professor Geraldo Ferreira Gomes (UFMT), que teve alguns momentos de convívio com o seu grande mestre. Em Cuiabá, durante a brilhante palestra que ele realizou na UFMT. E em Fortaleza, por ocasião da realização do Congresso Nacional da Associação Brasileira de Geógrafos (ABG), onde o professor Geraldo testemunhou todo o vigor de Santos no embate com os paladinos da geografia quantitativa. *VICENTE VUOLO é cuiabano, economista formado pela Universidade de Brasília e ex-vereador de Cuiabá [email protected]

Edição EDIÇÃO 16960




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