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ARTIGO
Segunda-feira, 14 de Maio de 2012, 21h:27

ROMILDO GONÇALVES

O fogo vem aí outra vez!

Segundo informações divulgadas pelo instituto nacional de pesquisas espaciais-INPE, mato grosso continua líder absoluto em incêndios florestais, desmatamento, queimada, poluição hídrica, poluição atmosférica, destruição ambiental... De 1º de janeiro a 10 de maio de 2012, já foram registrados 1.629 focos de incêndios florestais no estado, ou seja, 60% mais que no mesmo período de 2011. Estamos e pasme até o momento sem planejamento, sem ação e sem controle preventivo do fogo florestal na terra de Rondon, ou como se diz por aí, tudo como dantes na terra de aberrante. Porque não conseguimos sair dessa incômoda liderança? Por que o estado continua brilhando como o vilão da destruição ambiental no país? Algo vergonhoso, não? Como os gestores públicos permitiram que se chegasse a esse ponto? Não é mais possível aceitar um estado tão rico e pujante como Mato Grosso permitir esse marasmo, não é mesmo? É preciso reverter esse quadro desconfortável, desagradável, não é mesmo? O que fazer? Penso sinceramente que o primeiro passo seria Investir em infraestrutura de apoio e logística de campo. Então por que não fazem? Com a palavra os gestores públicos! É fato que nas últimas décadas houve forte pressão antrópica em atividades econômicas primárias sobre os ecossistemas naturais do estado, sem que houvesse investimentos a altura na informação, capacitação, orientação e fundamentalmente a preservação ambiental. Nota-se que os gestores públicos não entenderam ainda à dinâmica na relação de uso no manejo ambiental em curso no estado, um erro não? Mesmo com direito a moto serra de ouro e outros penduricalhos, o estado continua líder na extração de matéria prima, líder na produção de grãos, líder na produção de pecuária. Porém, necessitando urgentemente de uma visão holística dos gestores, de como utilizar racionalmente a extraordinária riqueza que o estado detém, não é mesmo. Vê-se que mato grosso tenta vincar a legislação ambiental às peculiaridades locais, no entanto falta-lhe logística e bom senso para a sustentabilidade. Desmistificar pontos positivos do fomento na produção agrícola, de pontos negativos na preservação ambiental é o “X”, da questão. Caminhar por essa tênue e dicotômica linha entre fomento e preservação buscando o equilíbrio desejável exige inteligência e conhecimento. Sabe-se que à medida que se conhece a complexidade ambiental avança-se em soluções plausíveis, ao mesmo tempo, desvenda-se amaras, encontrando o equilíbrio necessário, porém é preciso agir. Somente o poder público condições e prerrogativas para mudar rumos e criar legalmente meios regulatórios, apoiando, orientando, informando, capacitando recursos humanos, discernir objetivamente o uso e manejo sustentável da vida. Na década de 90, ex. ministro Gustavo Krauser dizia “aqui é Amazônia e aqui nos temos que aprender fazendo”. Com semelhante pensamento em 2008 o também ex. ministro Mangabeira Unger, alertava “A questão ambiental na Amazônia não pode ser resolvida a bala”. O altruísta pensamento das autoridades em foco reflete a grandeza dos ecossistemas amazônicos-mato-grossense e das populações humanas que aqui vivem. Portanto senhores gestores é preciso pensar e agir com respeito e responsabilidade para evitar desastres previsíveis. Vê-se, portanto o estado apresenta todas as condições para reverter esse quadro desconfortável que a todos envergonham, basta querer. *ROMILDO GONÇALVES é Biólogo, Mestre em Educação e Meio Ambiente, Perito Ambiental em fogo florestal e Professor pesquisador da UFMT/Seduc [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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