E o mundo não acabou. Em que pese todas as previsões apocalípticas propagadas por seguidores de algumas seitas e de alguns estudiosos da cultura Maia, o mundo não acabou e ainda segue seu curso. Na verdade, o que está acabando mesmo é a nossa paciência em relação ao desfecho de alguns fatos políticos que ganharam destaque na imprensa nos últimos meses. Até parece uma sina, não tem jeito: por aqui tudo acaba em pizza. Faz-se jogo de cena, com direito a denúncias e bravatas, mas no final tudo se transforma numa grande pizza. É o caso da propalada CPI do Cachoeira. Depois de oito meses, tempo que durou a CPI, o que restou foi a aprovação de um relatório de duas páginas, que não sugere o indiciamento de nenhum dos suspeitos de envolvimento com o esquema comandando pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, apenas remetendo as conclusões da apuração para a Polícia Federal e para o Ministério Público Federal. Tal qual Pilatos na condenação de Cristo, uma parcela dos parlamentares integrantes da Comissão optou por lavar as mãos e rejeitar o relatório apresentado pelo deputado Odair Cunha (PT-MG) que pedia o indiciamento de 29 pessoas e a responsabilização de outras 12. O placar da votação foi de 18 votos contra e 16 a favor. Muito barulho por nada. Outro caso que ganhou as manchetes e que também põe a prova a paciência dos cidadãos brasileiros foi a postura do presidente da Câmara Federal, deputado Marcos Maia que desafiou o Supremo Tribunal Federal ao afirmar que a Câmara não deverá cumprir a decisão do STF para cassar mandatos de deputados mensaleiros condenados. Maia também admitiu dar guarida a deputados condenados a prisão no processo do Mensalão. A postura é uma clara reação corporativista, direcionando para a Câmara a prerrogativa de cassar os mandatos dos mensaleiros. E cassação de mandato pela Câmara é um filme que a gente já viu, e que não vale a pena ver de novo. É absolvição na certa. Basta lembrar do caso, ainda recente, em que deputados foram flagrados escondendo dinheiro de propina na meia, na cueca, na bolsa e mesmo assim não perderam o mandato. Conta-se nos dedos aqueles que tiveram seus mandatos cassados por seus pares. O corporativismo vai prevalecer sempre. Isso sim é o fim do mundo. TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião do Diário