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ARTIGO
Quarta-feira, 16 de Maio de 2007, 20h:51

PAULO RONAN

O dólar está virando pó

Toda hora que anunciam uma quebra de barreira nesta escalada de queda do dólar eu corro nos cadernos de economia para ver o que a turma fala daquela que é a maior jogada financeira do planeta, ou do universo, até porque eu acho que não tem sistema financeiro em outro lugar a não ser nesta lugar de Jesus Cristo, Maomé, Isaac Newton e Einstein. Falo daquele pagamento antecipado feito pelo Brasil ao FMI. A dívida estava em dólar e foi paga usando reais financiadas em Selic. Seria como sacar do cheque especial e aplicar na poupança. Toda hora que o dólar cai nosso presidente deve lembrar do “artista” que o convenceu a efetuar tal pagamento. E não estou sendo irônico ou cínico. É realmente a grande jogada de todos os tempos para quem ganhou dinheiro com isso, que é na verdade o corretor da liquidação dos títulos. Ele percebeu a queda livre da moeda americana e correu atrás. E ainda pôs o presidente para fazer propaganda visto que o fato virou assunto de palanque. Já vi professor de economia de escola famosa defendendo esta operação. Foi só começar a queda livre que Nosso Guia parou com este assunto. E os professores também. Este movimento de queda da moeda americana era “pedra cantada”. O déficit em conta corrente do governo americano chegou a um volume assustador. Ou seja, o dinheiro que o governo americano arrecada mais o que sobra do comércio com os outros países não estava dando para pagar as despesas do governo ai incluído o salário de Bush e a Guerra do Iraque. Isto obriga o governo viver com pires na mão junto ao mercado de títulos buscando dinheiro para cobrir o buraco. Como a turma tem medo de diante do aumento deste buraco o governo americano passar por uma crise de credibilidade fragilizando sua moeda começou-se efetivar um movimento de corrida dela, da moeda. E ao diminuir a procura por ela, seu valor diminui imitando o mesmo processo que acontece com o preço do petróleo quando a indústria diminui seu ritmo. Este processo não desencadeou numa crise sistêmica porque a queda do valor do dólar vem sendo feita de forma gradual. Primeiro porque o governo americano aumentou o juro e repatriou muita moeda. Segundo devido os governos do resto do mundo manterem há anos suas moedas com cotação baixa em relação ao dólar para usufruir com maior intensidade do mercado internacional e da tal globalização. E por último os países que tem suas reservas em dólar como, por exemplo, a China, Japão, etc. que jogam no mercado para evitar o mal maior, ou seja, uma queda brusca do seu valor. Ao fazer, e lentamente, a troca de suas reservas de dólar para o euro conseguiram pautar o ritmo de queda da moeda americana buscando, por exemplo, a libra esterlina e o euro, que chegam hoje respectivamente a 10% e 30% de suas reservas, sem causar sobressaltos no mercado. Então ficamos assim. Não existe real forte. O que temos é dólar em frangalhos no mundo inteiro. Daí porque a intervenção do Banco Central não gera efeito, pois a valorização cambial que assistimos é importada. Se a causa é importada a cura para doença tem também de ser importada. E mesmo se fosse interna a causa, tal intervenção não teria efeito, pois o real usado apara atacar o mercado é financiado à taxa SELIC e não por superávit na conta corrente. O resultado desta desastrada operação é que temos hoje um estoque de mais cem milhões de dólares sendo depreciado nos cofres do Banco Central. Dispensa comentários. * PAULO RONAN é economista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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