ARTIGO
Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2013, 22h:17
A
A
EDIMARA FAGUNDES
O difícil vem depois
Na era do facebook, o que mais vejo são mulheres loucas para se casar e outras, loucas para ter filhos. Dos homens, os que se manifestam, em sua maioria, não querem nem um nem outro. Saindo do mundo virtual, a realidade não é diferente. Vez e outra, alguém vem me dizer: como é difícil ter filho! E eu costumo dizer que ter filho é o mais fácil, difícil é educar. E quando se tem um parceiro, independente de laços matrimoniais, mas que ajude na criação, costuma ser mais tranquilo, porque existe alguém para dividir as tarefas e as preocupações...ou não! Começam aí as indagações. Como mãe de dois filhos, sei como é difícil o dia-a-dia, mas também nada impossível, desde que haja limite pra tudo. Criar filhos não é tarefa pra qualquer um. E não estou falando de questões financeiras, me refiro a valores éticos e morais. Mostrar para uma criança o certo e o errado, o tempo todo, é muito cansativo. Não sou daquelas que os botam embaixo das asas e saem gritando que eles são perfeitos. Imagine! Eu vejo defeito nos meus filhos, corrijo, chamo a atenção, coloco de castigo e já levaram palmadas também. Muitos criticam, condenam até, as tais 'palmadinhas'. Eu não dou palmadinhas; pois se é pra corrigir, corrijo direito. Como dizem os adolescentes: "é tapa com força!". Não sou adepta de humilhação, muito menos em público. Sorte a minha que não precisei usar essa técnica que, particularmente, acho uma aberração. Criar um filho vai muito além de colocar comida na mesa, matricular em bons colégios, oferecer aulas de inglês, natação, balé, seja lá o que for. Educar um filho depende de exemplos, pois é quase impossível exigir determinado comportamento da criança se ela nunca vê a atitude como exemplo. Pais omissos são os piores, e desses existem aos montes. Aqueles que não se preocupam de onde apareceu um lápis a mais no estojo; de onde surgiu aquele brinquedo 'novo'; porque seu filho chegou em casa machucado ou mudou de comportamento de repente. Investigar esses sinais não é fácil: exige disciplina, atenção, cuidado com as palavras e com a condução da coisa para que não fique pior. Costumo chamar filhos de pais omissos de projetos de marginais. Sim, é agressivo! Mas não deixa de ser verdade. Uma criança que se desenvolve em um ambiente assim, onde ela sempre está certa e os pais a defendem de tudo, vão se tornar adolescentes sem limite nenhum. O que significa respeito para uma pessoa dessas? Pois bem, se os pais não cuidam, a vida ensina. Ouço isso desde pequena: "não aprende em casa, vai aprender na rua. Mas a rua não ensina com amor!" E a conclusão é essa: muito fácil, muito simples ter filhos. O difícil vem depois. E quanto mais eles crescem, mais complicado fica! EDIMARA FAGUNDES é editora de Política do Diário