Nesta semana o DEM (ex-PFL) e o PSDB deram passos importantes para a sua aproximação e eventual coligação na eleição de prefeito de Cuiabá neste ano. A aproximação não deveria acontecer. Mas como o PR está se afastando do PSDB, a busca por espaços é impiedosa. Junto com o PSDB, o DEM praticamente garante a reeleição do prefeito Wilson Santos e, ao mesmo tempo, pincela com bastante clareza as eleições de governador e de dois senadores em 2010. Se essa coligação de fato acontecer, aquilo que o governador Blairo Maggi sempre temeu vai acontecer: Jaime Campos se viabiliza para governador. Os bastidores do antigo PPS, hoje PR, sempre olharam atravessada essa possibilidade, rotulada como volta ao passado. Junto com Wilson Santos, a dobradinha passará a ditar as cartas no jogo eleitoral do estado. Jaime Campos está muito apertado em Várzea Grande com a candidatura do irmão Júlio Campos, a prefeito. Esperava-se uma eleição mais tranqüila. Parece que não será, porque existem resistências fortes contrárias, e o adversário, Maksuês Leite, está muito bem posicionado. Os destinos de Júlio Campos e de Jaime estão ligados nesta eleição. Jaime não poderá fazer o corpo mole que sempre fez quando uma eleição não o interessa. É o caso, porque ele sabe que estará sendo julgado junto com a eleição. Nesse caso, uma coligação com o PSDB, tendo o prefeito Wilson Santos bem avaliado e dono do poder, somado com a sua larga experiência eleitoral desde os tempos do MDB, de vereador, de deputado estadual e federal, Jaime Campos pode aproveitar essa margem e desviar as suas atenções para Cuiabá e camuflar o desconforto de Várzea Grande. De outro lado, chegou a se cogitar a discussão, avalizada pelo próprio governador, do PR lançar um candidato à vice, na chapa do prefeito Wilson Santos, com a promessa de receber um ano e meio de mandato. Seria uma eleição financeiramente barata e sem desgastes políticos. Mas como a tese não vingou, surgem variáveis novas como a própria exposição do governador Blairo Maggi frente ao eleitorado de Cuiabá. Pesquisas sempre separaram a boa imagem do governador na capital da sua influência eleitoral. Ele é considerado eleitor de Rondonópolis pelos eleitores de Cuiabá. Esse bairrismo determina que o seu apoio em Cuiabá não chega a definir uma eleição. No máximo, pode influenciar com limitações. Se ocorrer uma coligação entre o PSDB e o DEM, ficarão de fora só o PSB, o PR e o PT cuja densidade eleitoral seria bem menor tanto em votos quanto em tempo da propaganda eleitoral gratuita. Mas, para o governador, o pior mesmo é que o seu governo entraria em julgamento. É de se questionar se ele se interessa por isso. Como é de se questionar se ele quer a consolidação das lideranças de Wilson e de Jaime juntas num projeto maior. Blairo é candidato a senador e, a rigor, não precisaria correr riscos desde agora e, tampouco, produzir uma confusão política que possa respingar nele, no seu governo, no seu partido e mudar o futuro da política, por radicalismos de grupos dentro dos partidos. Nesses 45 dias que ainda faltam para o limite das convenções partidárias, muita coisa ainda pode acontecer. Tudo indica que as mudanças serão muito grandes. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste
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