NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ARTIGO
Quinta-feira, 06 de Novembro de 2008, 20h:04

PAULO RONAN

O declínio do império americano

Entro nesta seara sob uma saudável provocação de um dos meus 23 leitores. Falo do meu amigo, a ponto de ser assíduo da coluna, Wagner Simplício, ativista político refinado que inclusive conhece a literatura sobre o assunto. A questão está posta e virou verdade. Acabou a Pax Americana. Lembrando o conceito, como a Pax inglesa, a Romana, a Grega, etc são países que exerceram uma suposta hegemonia durante uma época sobre o mundo. A Romana enfrenta questionamentos porque acontece simultaneamente ao império da dinastia de plantão na China, que era poderosíssima e dominava talvez mais gente que ela. E também teve o Império Persa que coincide também com seu apogeu. A inglesa, dizem outros, se dá mais no campo militar. A Grega fica muito restrita ao Mediterrâneo e ao campo cultural. A Otamana só ao militar. Então antes de qualquer coisa estas supostas hegemonias sofrem contestações a todo momento. Inclusive a americana. Falam alguns economistas que do ponto de vista teórico é difícil considerar a economia americana hegemônica se considerarmos a fragilidade das suas contas, sempre com déficit interno e seu comércio deficitário com o resto do mundo. Outros já falam que é aí que reside a força. Se formos acompanhar esta briga de economista o artigo não anda. Vou, como mineiro, ocupar o muro nesta briga. Existe sim uma hegemonia americana no campo econômico e existe mais ainda um movimento que vem enfraquecendo esta posição. Mas existe seu posicionamento em outras áreas inquestionáveis e que não se conhece na história um país que concentrou tanto poder em áreas diferentes. Como substituir esta nação quando se fala em filantropia? Pode o mundo prescindir da tecnologia americana e da pesquisa americana? E Harvard, Yale, MIT, Stanford, Berkeley, John Hopkins etc? E a questão cultural. O cinema? Não Rambo e o cinema catástrofe. Estou falando dos irmãos Cohen, Scorcese, John Ford e Coppola. A música. Vamos abrir mão do jazz, do soul e do blues? E os cinqüenta mil imitadores de Johnny Cash mundo a fora, o que farão? E no campo bélico serão muitos anos para ser superada por qualquer nação. A radicalização de Reagan nesta área marcou fundo a diferença americana. Acho que este desequilíbrio persistirá e é complicado conviver com isto. Basta ver este idiota que já vai tarde, Bush Jr, e as besteiras que fez. Com este arsenal na mão. Um perigo. Ainda bem, poderia ter sido pior. Mas na economia tal hegemonia vai mudar. Um dia sonhei que quando tudo ruísse a Europa Ocidental iria ser hegemônica e seria paga pelos anos de sofrimento e tolerância do seu povo. Seria recompensada com uma Pax Européia pela atitude firme de defesa da democracia, até quando a guerra fria impingiu o cinismo entre as nações. O cinismo norte americano no continente latino americano apoiando ditadores picaretas, generais de merda e que nunca deram um tiro na vida a não ser torturar rapazes e moças que mal sabiam empunhar um fuzil. O departamento de estado americano operando pró-Inglaterra na guerra das Malvinas e posando de neutro. Acho que o mundo caminha para uma posição triangular no campo econômico. O avanço da Ásia e suas facetas. China, índia e mundo árabe a frente com o alinhamento africano, experimentando um grande comércio internacional e fará disso sua margem de manobra na correlação internacional de forças. Em outro vértice a Europa, com seus serviços sofisticados, sua industria fina e de precisão. E na outra ponta do triângulo os velhos EUA, com sua tecnologia, sua pesquisa e sua moeda que ainda será por muitos anos o meio internacional de medição e troca. Consolidará um mecanismo multipolar de poder mundial. Resumindo, saímos da bipolaridade da guerra fria para a multipolaridade com uma rápida passagem por uma pax contemporânea. A americana. E o inglês John Lennon no céu assiste a tudo isso fumando unzinho com o americano Johnny Cash. * PAULO RONAN é economista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16961




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL