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ARTIGO
Segunda-feira, 02 de Agosto de 2010, 19h:57

LORENZO FALCÃO

O cinema brasileiro

Semana passada discuti aqui na redação com algumas pessoas sobre a questão do cinema brasileiro. O que nos fez enveredar pelo assunto foi matéria da Folha de São Paulo questionando um filme exibido no Festival de Paulínia, que não foi bem recebido pelo público. Em se tratando de um festival, sabe-se que o público é diferente, mais tolerante para com filmes menos comerciais. Não sou um profundo conhecedor do cinema brasileiro, mas seria capaz de citar vários títulos que acho espetaculares, sem falar de Glauber Rocha, que considero um artista genial. Apesar de muita gente acha-lo um chato. As pessoas têm o direito de achar o que bem entenderem, inclusive eu. Há, porém, as malditas limitações que todos nós temos. Cinema não é ciências exatas e nem vem com bula explicativa. Não é fácil falar com desenvoltura sobre um único filme, o que dirá sobre o cinema. Costumo orientar a conhecidos e amigos que dizem que este ou aquele filme é uma merda (e eu sei que não foi, porque recebeu boas críticas e foi indicado e/ou premiado em eventos importantes), para que essas pessoas, em vez de dizerem isso sobre o filme, digam, simplesmente, que não gostaram dele. O cinema, enquanto arte, é bastante complicado. Assistir filmes de Stallone, Schwarznnegger e essa babozeira das comédias românticas que rolam em nosso telões em nada contribui para o enriquecimento cultural. É apenas diversão. Os filmes de Steven Spielberg também não trazem nenhuma intensa contribuição para mexer com nossa cabeça, nos fazer pensar, lapidar nossos conceitos de estética etc. São filmes de entretenimento e aqui chegam (em Cuiabá) por causa da força ($) da indústria cultural americana. Nós, pobres coitados, sequer temos chances de conhecer a cinematografia européia que é muito rica. Os filmes com forte apelo comercial significam bilheteria. Tem muita gente que considera que apenas filmes assim é que valem a pena. Que o cinema tem que significar din-din, e que o resto é desperdício, é jogar dinheiro fora. Acho isso lamentável. Parece que a arte e a cultura não são coisas importantes em nossas vidas e não merecem investimentos públicos. Não temos saúde pública decente, nossa educação é péssima e a segurança, então... Pra que cultura? Voltando, por fim, ao cinema brasileiro, é preciso lembrar que na história do nosso cinema, a retomada ainda é coisa muito recente. A produção fílmica ficou estrangulada durante muito tempo e agora recomeça a brotar. Nem tudo que rola é bom. Um bom filme, aliás, precisa ser feito por um diretor que seja um grande artista. E artista... Bom, artista, conforme disse Gervane de Paula, artista não é que nem banana, e não dá em cacho. *LORENZO FALCÃO é editor do DC Ilustrado e escreve neste espaço às terças-feiras

Edição EDIÇÃO 16961




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