Agosto se aproxima e com ele a lembrança de acontecimentos fatídicos na História do Brasil. Meras coincidências ou uma sina? O certo é que este agosto de 2015 já entremostra nuvens de tempestades. Que nos aguarda nos próximos longos 31 dias? Mas vamos dar uma ligeira olhada sobre esses presságios, que não são de agora. Como surgiu no calendário o mês de agosto? Ele já nasce como fruto de uma rivalidade. O rancor, a inveja, a desídia teriam influído na fatalidade e tragédias que se concentram nesse mês? E não apenas no Brasil? O oitavo mês do calendário gregoriano recebeu esse nome como homenagem que os romanos prestaram ao Imperador César Augusto. Julho havia sido a denominação dada em honra ao grande Júlio César. São os únicos meses que em sequencia tem 31 dias. Por quê? É que Augusto não queria ficar menor que Júlio, então decretou que o seu mês tivesse também idêntico número de dias. O imaginário popular está prenhe de toda sorte de supertições e crenças a respeito de agosto. Na tradição lusitana existem inúmeras, entre estas, a de que as mulheres portuguesas nunca se casavam nesse mês. Neste caso pelo menos havia uma explicação lógica: essa era a época em que os navios das expedições zarpavam à procura de novas terras e casar nesse mês significava ficar só, com o amado distante em alto mar, sem saber quando voltaria ou se ficaria viúva. Os portugueses trouxeram a crença do mês fatídico. Quem não já ouviu dizer que agosto é o mês do desgosto? No imaginário popular isso não é apenas uma rima. Mesmo não acreditando nesse negócio de azar muita gente prefere não brincar com as coisas do sobrenatural e não se casa, não se muda, não viaja e não faz negócios nesse mês. A realidade é que agosto tem sido um mês marcado por acontecimentos de grandes comoções sociais. Na manhã do dia 24 de agosto de 1954, Getulio Vargas disparava uma bala no coração. O gesto dramático reverteu a situação e a Carta Testamento foi o legado do estadista. Inicia com um libelo e conclui com um canto premonitório. Depois tivemos uma situação tragicômica, mas que por pouco não conduziu o país a uma guerra civil de consequências imprevisíveis. Em 1961, no dia 19 de agosto, foi recebido no Planalto com honras de Chefe de Estado o revolucionário argentino-cubano Ernesto Che Guevara, que estava em visita ao Brasil. Na ocasião lhe foi outorgada a mais alta condecoração brasileira. Tal gesto foi recebido como provocação por setores importantes da área militar e política. Tudo, porém, parecia transcorrer na maior normalidade institucional quando, na manhã do dia 25, Jânio Quadros toma uma decisão patética: encaminha à Câmara dos Deputados a renúncia à Presidência da República. A partir desse gesto tresloucado, em que o país esteve à beira da guerra civil, os fatos são conhecidos. Um terceiro episódio ocorreu no dia 22 de agosto de 1976. Juscelino Kubitschek, o presidente mais popular que o Brasil já teve, dirigia-se de São Paulo para o Rio de Janeiro quando, na Via Dutra, o seu automóvel Opala ultrapassou a mureta divisória e bateu de frente com um caminhão. Dois anos antes, JK recuperara os direitos políticos cassados pelo golpe militar e se dizia disposto a voltar à vida pública. Multidões choraram a sua morte e em seu funeral em Brasília mais de 300 mil pessoas dele se despediram entoando Peixe Vivo, a música que marcou a sua trajetória política. É, caro leitor e leitora, este tem sido agosto mesmo em anos que começam tranquilos. Como será o mês que se iniciará na próxima semana? As nuvens estão turvas. O ambiente de inflação, de recessão, de artifícios e jogos políticos está criado. A insatisfação popular vem crescendo. Abril é o mais cruel dos meses diz um dos versos iniciais de um poema, que segundo os críticos mais renomados, está entre os melhores escritos no século XX. O grande poeta T.S. Eliot [1888 1965], se fosse brasileiro talvez viesse a escrever que o mês mais cruel é agosto. * SEBASTIÃO CARLOS GOMES DE CARVALHO é professor, advogado e historiador.
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