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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 03 de Março de 2012, 14h:26

GUSTAVO OLIVEIRA

O anteprojeto do VLT

Nos últimos dias o bate-boca entre Eder Moraes, o todo-poderoso secretário extraordinário para Copa, e o senador Pedro Taques foi destaque na mídia. O motivo é que Eder não gostou de ser cobrado por Taques na tribuna do Senado. Primeiro, o senador tem todo o direito de questionar - recebeu 800 mil votos para fazer isto. Segundo, e mais importante, a cobrança está sendo feita nas ruas. Basta o secretário deixar o conforto de sua sala e vai ver que a população está fazendo os mesmos questionamentos de Taques: como vão as obras? Quando elas começarão? Quanto vai custar? Ficarão prontas até a Copa? E por aí vai! O secretário se sairia melhor se ficasse calado ou, ao invés de partir para o ataque e acusar Taques de ser traficante do medo, o chamasse e desses todas as explicações que ele pediu. Eder é habilidoso com as palavras e não creio que teria problemas em convencer Pedro Taques. Taques clama por informação e foi exatamente isto que a Secopa finalmente fez nas últimas horas, ao disponibilizar em seu site um calhamaço com mais de mil páginas, que serve como base para o edital da licitação das obras do VLT (os interessados podem baixar os documentos em www.secopa.mt.gov.br). Pelo que li, se Eder Moraes cumprir com o que está escrito no anteprojeto elaborado pela comissão técnica da Secopa, ele será um forte candidato a ser o próximo governador de Mato Grosso. O que está previsto mudará completamente as feições da nossa cidade. Serão 5 viadutos, 3 pontes e 3 trincheiras para atender 33 estações, nas duas linhas de VLT: a Aeroporto/CPA, com 22 quilômetros, e a Centro/Coxipó, com pouco mais de 7 quilômetros. E aí são apenas as obras do VLT, não estão as de desbloqueio e as do Dnit. Algumas dúvidas que tinha foram respondidas ao ver o projeto. A primeira é sobre quantas faixas de carros terão as vias. Na linha Aeroporto/CPA, começará com duas faixas de carros para cada sentido do aeroporto até Cuiabá. Em Cuiabá o VLT entrará na XV de Novembro, que terá apenas uma faixa de carro nos dois sentidos – ela voltará a ser mão dupla, da mesma forma que a Prainha, no trecho do Porto. No Centro, a Prainha só terá duas faixas de carro nos dois sentidos. Na avenida do CPA, serão três faixas até a Praça das Bandeiras; depois, até o CPA serão só duas faixas. Estranhamente, o projeto prevê o alargamento do canteiro central neste trecho final e diminuição do espaço para os carros. Na outra linha, Centro/Coxipó, começa com uma faixa de carro nos dois sentidos da Coronel Escolástico até o início da avenida Fernando Correa da Costa, que terá três faixas até o 9º BEC. Dali em diante serão só duas faixas para os automóveis, em cada sentido. Vale lembrar que esta linha ficou mais curta: antes, ela estava prevista até o Atacadão, na entrada do Tijucal. Agora, vai só até o terminal do Coxipó, que ficará poucos metros após a entrada para a rodovia que leva a Santo Antônio de Leverger. Outra dúvida era sobre os terminais André Maggi e CPA I, que como não ficarão próximos ao eixo do VLT perderão utilidade. O primeiro deve ser substituído por um terminal no Aeroporto e o segundo, por um novo terminal no CPA, que será erguido após o Comando da PM. No rio Cuiabá será erguida uma nova ponte de 210 metros, em paralelo às duas hoje existentes. A que vai ficar no meio e hoje é usada por carros é que vai servir ao VLT. No rio Coxipó também serão erguidas duas pontes e, pelo visto, a Ponte de Ferro vai ter que mudar de lugar. Pelo anteprojeto, algumas mudanças no trânsito também estão previstas: a 13 de Junho, no trecho entre a Generoso Ponce e a Getúlio Vargas, vai mudar de sentido e voltar a ser como era no passado. A avenida Dom Bosco também mudará de sentido - como era na minha infância – e formará um binário com a rua Thogo Pereira, que passará a receber os carros que hoje sobem a Dom Bosco. No anteprojeto tem muito mais. Porém, ficam algumas dúvidas, principalmente as relacionadas ao custo e a prazos. Porém, não tenho dúvidas de que disponibilizar estas informações técnicas é um bom começo. Principalmente para elevar o nível do debate e de novas cobranças. * Gustavo Oliveira é diretor de Redação do Diário. [email protected]

Edição EDIÇÃO 16962




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