ARTIGO
Quarta-feira, 08 de Agosto de 2012, 20h:53
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RENATA NEVES
Novos tempos
Incrível como a tecnologia cria novas necessidades nos seres humanos. Tenho pensado muito no assunto ultimamente. Teoricamente, novos produtos são criados para suprir nossas necessidades. Sem dúvida, facilitam muito nossas vidas, mas já pararam para pensar como eles, na realidade, criam outras das quais acabamos nos tornando dependentes? Quando criança, meu maior divertimento era brincar com meus amigos. Gostava de jogar vôlei, queimada, andar de bicicleta, brincar de pega-pega e esconde-esconde, entre outras, e para isso não precisávamos de quase nada. Uma bola e amigos e a diversão já estava garantida. Em casa, até tinha um videogame. Eu e os meus irmãos jogávamos de vez em quando, mas jamais trocávamos as brincadeiras de rua para ficarmos na frente da televisão. Era apenas um divertimento a mais. Além de brincar no tempo livre, ocupava-me com minhas obrigações escolares. Precisava apenas de um caderno, uma caneta, um lápis e uma borracha. Era o necessário para anotar o que o professor dizia e fazer os exercícios que nos eram passados. Hoje em dia as crianças necessitam de muito mais coisas. Uma bola para brincar? Que bobagem! Querem mesmo é um videogame de última geração, um celular com acesso à internet, de preferência um Iphone, além de um notebook ou tablet para registrar os ensinamentos repassados pelos professores. Como viver sem isso? É o básico, pensam. Os adultos também viraram reféns da tecnologia. Quando não existia o celular, visitavam as pessoas com quem queriam conversar. Depois que o aparelho foi criado, aumentou também a necessidade de se comunicar e com ela surgiram outros novos anseios. Por que falar com apenas uma pessoa de cada vez se podemos falar com o mundo? E por que apenas falar, se podemos nos comunicar por mensagens, fotos e vídeos? E por aí vai... Sou a favor da tecnologia e defendo a utilização de produtos que facilitem nossa vida e nos auxiliem no trabalho, mas acho que tudo deve ter limites. Crianças podem utilizá-los para aumentar o rendimento escolar, fazer pesquisas mais aprofundadas sobre um assunto, ampliar seus horizontes, conhecendo realidades e culturas de outros países. No entanto, cabe aos pais impor limites para não deixá-las bitoladas, crianças bobas, que entendem muito de tecnologia, mas não sabem se comunicar com as pessoas. Incentivem as brincadeiras, o contato com outras crianças. Quanto aos adultos, aproveitem o que os recursos tecnológicos têm para lhes oferecer, mas, por favor, não deixem de visitar os amigos e aproveitar os momentos que estão juntos para conversar (com a boca), trocar sorrisos, confidências e abraços de maneira sincera, e não apenas para postar uma foto no Instagram ou Facebook. RENATA NEVES é repórter