NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Domingo, 14 de Junho de 2026

ARTIGO
Quinta-feira, 29 de Maio de 2008, 21h:06

PAULO RONAN

Notícias novas sobre a inflação

Tem uma estorinha que um professor de administração de vendas adora contar. Mandaram um supervisor fazer uma prospecção de mercado. Logo chega um telegrama, “potencial de mercado zero, a população daqui, com 5 mil habitantes todos andam descalços, ninguém usa sapato. Mandaram outro e logo chega outro telegrama, “potencial de mercado de cinco mil pares de sapatos”. Assim é a matemática; você usa como quer. Nas chamadas ciências sociais sua aplicação não é exata como no cálculo de uma ponte, de uma arma, de um software. A economia, por exemplo, tem variáveis que a lógica numérica não tem como lidar. Saíram novos números sobre a inflação mundial e deu-se uma discussão acirrada sobre se tem ou não importância os preços das commodities nesta estória. E todos te convencem quando fazem aquele exercício matemático cheio de clichês de economista de banco. Tudo malandragem. Mas os números são assustadores. Deu em uma das colunas da Miriam Leitão desta semana. Está no site dela também. Chegando a 10% na China, Índia, Indonésia (este parece que está se desligando da OPEP, porque passou à importador de petróleo e quer se ver livre das amarras do cartel e Nosso Guia aqui falando em entrar), Arábia Saudita e a turma do golfo todos ligeiramente acima. Assustadoramente, Rússia 14%, Argentina 25% e Venezuela 29%. Neste último espera-se um estouro e a chegada a três dígitos. A farra orçamentária chavista, a desindustrialização e o controle de preços reforçam esta previsão. E até o Chile, modelo de responsabilidade de gestão de economia em desenvolvimento, já está com 8,3%. Não tem certo ou errado nesta estória. É um conjunto de ações e cada economia tem suas particularidades. O caso do Chile foi inesperado. No Brasil temos os problemas de oferta de alguns produtos como a escassez internacional de arroz e trigo, secas no sul. Tivemos alta de insumos e diminuição de área plantada dada a expansão da cana e outras culturas voltadas à energia. E do lado da demanda tivemos o aumento do gasto público para Nosso Guia fazer discurso e a expansão do crédito que chegou a 36% do PIB. Só as pessoas físicas têm em mãos 375 bilhões de raiz dos bancos. É muita farra e muito carro nas ruas. Embola nesta discussão a questão da especulação. Temendo um estouro na bolha da especulação, começou uma operação intelectual de negá-la. Explicando. Os fundos de investimentos que, na verdade, são montanhas de dinheiro para especular com papel no futuro. Compra papéis que vão virar dinheiro no futuro igual banqueiro do bicho banca o bicheiro menor e ganha no deságio. E depois passa pra frente com um deságio menor formando uma corrente assemelhada aquelas tipo Amway que andaram por aqui. Acontece que esta turma estava enfiada no financiamento de casa para a classe média americana e lá a corrente quebrou. Estes fundos foram para os mercados de commodities o que aumentou seus preços. A Folha de São Paulo em editorial esta semana mostrou algo assustador. Em 2007 a bolsa de Chicago negociou 7,3 bilhões de toneladas de milho, 4,3 bilhões de soja e 2,7 bilhões de trigo. A produção desses produtos no planeta foi de 780 milhões, 220 milhões e 606 milhões de toneladas, respectivamente. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) do Brasil os negócios de produtos agropecuários saltaram de US$ 12,5 bilhões em 2006, para US$ 24,3 bilhões em 2007 sem termos tido tal aumento na produção. Estima-se que possam alcançar US$ 45 bilhões neste ano. Nos quatro primeiros meses do ano, o volume financeiro negociado na BM&F bateu em 81% o do primeiro terço de 2007 sem qualquer relação com aumento de produção. Começo o texto falando da manipulação que é possível fazer com os números. Mas estes aí de cima são de assustar. Eles encerram a discussão. Não tem demanda no mundo pressionado de preços. É a especulação. Pagam todos para um bando de malandros ganhar dinheiro de mentira. Tudo falso. Sem lastro. * PAULO RONAN é economista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16962




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL