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ARTIGO
Terça-feira, 24 de Setembro de 2013, 19h:48

EDUARDO PÓVOAS

Nossas estradas e o cofrinho do Dnit

Acabo de percorrer de carro quase cinco mil quilômetros entre os estados de Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. Somos o maior produtor de grãos, o maior produtor de cabeças de gado, um dos mais importantes estados com relação à exploração de minério, temos entre os dez municípios mais ricos do Centro-Oeste oito em nosso território, possuímos um potencial invejável com relação ao turismo e somos uma das subsedes da Copa do Mundo. Ufa...quanta coisa boa, né? Pois bem, vamos falar de umas coisas que nada têm a ver com os tópicos acima. Sem nenhuma dúvida, o pavimento de asfalto das estradas de Mato Grosso são os piores do Centro-Oeste, com exceção da subida e descida da Serra de São Vicente. Por aqui se recapeia uma estrada e a menos de um ano o serviço virou uma farinha em cima da mesma. Será que esse “presente” é privilégio de Mato Grosso ou nossas BRs estão fadadas ao abandono? No Mato Grosso do Sul, mesmo tendo um tráfego infinitamente inferior ao nosso, roda-se sobre um verdadeiro tapete, não sendo isto, de maneira nenhuma, motivo por ter um asfalto de melhor qualidade. Agora “de última” vêm as lombadas eletrônicas de 10 em 10 quilômetros para infernizar a vida dos usuários. Não sou e nunca fui contra as lombadas eletrônicas. Sou contra, e devemos ser todos contra, a maneira de suas instalações, sem dar, em muitas delas, o direito do motorista diminuir sua velocidade. Estão “esparramadas” pelos dois estados, com pouquíssimos avisos alertando o usuário, o que faz crer que vieram para “engordar” o esfarrapado e alquebrado cofre do órgão público, pelo menos assim que nos informam de sua “saúde” financeira. Encheram as estradas de lombadas eletrônicas com intuito de se diminuírem acidentes nas mesmas. Quem seria idiota de discordar disso, se elas fossem bem sinalizadas, colocadas em lugares próprios e permitindo o amplo direito do motorista se defender das multas? Escutei em um posto, onde abastecia meu carro, a conversa entre dois motoristas de carreta que diziam que se depender deles nenhuma ficará em pé. E o pior, estão cumprindo a promessa, pois ninguém aguenta ser multado de dez em dez quilômetros. E as condições dos pavimentos? Deveremos esperar que os cofres da repartição pública “engordem” para que tenhamos estradas decentes para trafegarmos? Continuarão a tapar os buracos com farinha e açúcar para que as carretas de 40 ou 50 toneladas desfilem por cima delas? Ah, dá licença: tá na hora da nossa bancada federal exigir, eu disse “exigir” do Governo central uma providência nesse sentido. Acho que faz muito tempo que nossos representantes não colocam suas máquinas possantes para rodar nelas. Também pudera!, enquanto existir verba de gabinete, andar de carro ou de ônibus só para otários como eu e você! *EDUARDO PÓVOAS - cuiabano, pós-graduado pela UFRJ

Edição EDIÇÃO 16967




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