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ARTIGO
Sexta-feira, 29 de Junho de 2007, 19h:57

ALECY ALVES

Nenhum sentimento materno

Não gostaria, e não é dá minha índole fazer pré-julgamento sobre isso ou aquilo, mas diante das notícias que nos últimos dias veicularam como manchetes de jornais e emissoras de televisão na capital, ponho-me a pensar sobre o comportamento de certas mães e pais. O que dizer ou como ver mães e pais que exploram sexualmente as próprias filhas? Que permitem e até compartilham do uso de drogas com crianças e adolescentes, que pela lei natural da vida teriam a obrigação de protegê-los? Deus, o que passa pela cabeça de alguém com valores morais tão invertidos? A história desnudada pela imprensa sobre o casal que perdeu, por enquanto temporariamente, a guarda dos nove filhos porque explorava sexualmente três filhas de 10, 13 e 14 anos, é no mínimo estarrecedora. Os depoimentos prestados à polícia pelas crianças revelaram um esquema repugnante de aliciamento, prostituição, tráfico e uso de drogas. Trouxeram à tona, por exemplo, que entre as adolescentes levadas para programas sexuais havia uma criança de 10 anos, filha do casal, que começou a ser usada pela quadrilha aos sete anos. O normal no comportamento dos pais é, na minha visão materna, de ambos educarem os filhos. E, se isso não for possível juntos ou mesmo separados, que um dos dois assuma essa tarefa, exigindo ou não a participação do outro. Desejar aos filhos alheios o que se deseja aos próprios filhos também deveria ser o sentimento natural de todos os pais. Mas, infelizmente, não é isso que vemos por aí. Ou seja, se existem crianças sendo expostas a essa crueldade, é porque há exploradores adultos. Esses que fazem programas com crianças e adolescentes também devem ser pais e avôs. Então, como reagiriam esses seres se fossem suas filhas ou netas as exploradas? O falso moralismo, essa coisa de que com os outros pode e com os meus jamais ou nem pensar, é tão repugnante quanto a atitude daqueles que as exploram. Longe de mim tentar ser uma exímia mãe. Tenho consciência de que cometi e continuo cometendo erros, mesmo porque não é fácil educar filhos. Estou apenas tentando fazer o melhor, mais por atos que sirvam de exemplos do que com discursos. ALECY ALVES é jornalista

Edição EDIÇÃO 16961




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