O PFL via do seu diretório nacional capitaneado pelo senador Jorge Bornhausen, após uma reflexão de sua trajetória, uma verdadeira catarse, entendeu por bem que a sigla já tinha se exaurido no objetivo que fora a proposta de sua criação. Ou seja, uma frente com a finalidade de dar sustentação política ao processo de transição do regime militar para uma democracia plena. Há um questionamento, próprio da discussão democrática, sobre o papel exercido e a importância do PFL no retorno à democracia. Mas o fato é que não tão somente o PFL, mas o modelo político/partidário que se implantou na redemocratização está exaurido como um todo. Para o PFL, de nada resolve pura e simplesmente mudar o nome da sigla. Tem que trazer junto uma proposta que venha ao encontro dos anseios da população; um discurso que aborde os graves problemas nacionais e propostas de soluções. Bandeiras que o povo quer ver desfraldadas e que o corporativismo, os escusos interesses pessoais e empresariais, não deixam seguir avante. Abraçar uma ampla reforma política, saneando e moralizando o Congresso Nacional, bússola do regime e referência para a sociedade organizada. O novo partido, sucessor do PFL, tem que ter sensibilidade e discernimento para tirar proveito dos seus próprios erros, cujo maior deles, sem a menor margem de dúvidas, foi o medo das urnas nas eleições para o executivo. Tem que aspirar e lutar pelo poder, mas ao mesmo tempo ter coragem cívica e consciência da necessidade de oposição no regime democrático. Ter respeito pelo militante e objetivo de construir um partido para as próximas gerações, e não somente para as próximas eleições. O partido democrata terá que ter um discurso diametralmente oposto a tudo que se assiste no mundo político nacional. Formular um programa de metas e caminhar nesse rumo sem medo de enfrentar o palanque eleitoral, tribuna onde se discute a vida, os altos interesses e os rumos da nação. Para o caso de Mato Grosso, a nova sigla vem resolver de forma natural o que o PFL teria que fazer de maneira um pouco traumática em razão do alto índice de infidelidade partidária ocorrido nas eleições parlamentares de 2006. Ou seja, tomar medidas tais como a expulsão dos prefeitos e extinção dos diretórios que apoiaram candidatos a deputados de outros partidos. É necessário ressaltar que o PD vai ser criado num momento muito bom para suceder o PFL, porque estando a sigla anterior fora do poder como cabeça-de-chapa, começará com um quadro pequeno, porém enxuto e com maior conteúdo e idealismo. Até porque, depois da invenção dessa história de governabilidade e pragmatismo, o civismo, o patriotismo e o idealismo foram sepultados; essas expressões foram tiradas do dicionário político. O partido democrata, sabendo capitalizar a experiência do passado, e se a partir de 2008 lançar candidatos a prefeitos e vereadores em todos os municípios, demonstrando de forma clara à sociedade que não será uma sigla a mais de aluguel, conquistará espaço entre as pessoas imbuídas da vontade de mudar; moralizar a atividade político/partidária no Brasil. A história tem provado que todos os partidos que incharam na sombra da chapa branca murcharam na transitoriedade do poder, cuja glória é efêmera. Eu não acredito em fortalecimento de verdade em nenhum partido que não tenha, ainda, militado nas planícies da oposição. Navegar é preciso. * PEDRO LIMA é analista político e advogado. Escreve neste espaço aos sábados
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