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ARTIGO
Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011, 18h:39

MARIO EUGENIO SATURNO

Natal e a Sagrada Família

Em um tempo globalizado pela TV via satélite desde 1969, quando o homem deixou a Terra e pisou em outro astro, a Lua, vivemos um novo paradigma existencial. As religiões tradicionais – e sérias – perderam espaço para as imediatistas, milagreiras – cristãs ou esotéricas –, que prometem retorno financeiro, em suma, promovem o egocentrismo, disfarçado de sucesso e arrogância de humildade. Assim, refletir sobre Natal e a Sagrada Família não só é tema atual como necessário. Até os meus 22 anos, fui ateu! Eu era platonista, sexo só servia aos propósitos da reprodução. Isso até minha conversão – uma historinha sem graça, é verdade! Depois de tanto pesquisar psicologia e filosofia, – em um momento de muita paz iniciei a leitura do Evangelho e a “nova mensagem” soou convergente e eu cri! Desde criança, tive como ideal formar uma família e ter muito mais sucesso que meus pais na empreitada. Justamente, meu primeiro choque foi saber que o sexo também era para o prazer e o casal deveria vivê-lo. E quem mostrou isso foi o padre mais santo da cidade – a única unanimidade entre os catanduvenses, católicos e não-católicos. É claro que meus conterrâneos mais velhos já pensaram no Pe. Synval. Apesar dos outros padres não terem tamanha veneração foram importantes para a Igreja, como o Pe. Sylvio, que teve muita paciência comigo e promoveu meu crescimento. A Igreja deu-me força para superar as adversidades e me colocar em uma situação em que nunca fui tão feliz! E se existe uma época de felicidade, certamente é a do Natal. Tenho grandes recordações de criança. E falar de Natal é falar de Jesus e da Sagrada Família que não existiria se não fosse a coragem e o coração magnânimo de José que ficou tentado a abandonar a esposa grávida. Verdadeiro espírito de soldado, aceita a missão e cumpre as ordens divinas com determinação e resiliência. Não se intimida, vai ao Egito, retorna, visita Jerusalém, fica aflito, trabalha para a família até encontrar a morte. Talvez seja por isso que a Igreja o considere padroeiro da boa morte (CIC §1014). Certamente é exemplo para todos os homens. É claro que Deus não precisava de um pai e uma mãe humana, isso apenas nos mostra seu imenso amor por nós. Cristo quis nascer e crescer na Sagrada Família. E a Igreja não é outra coisa senão a "família de Deus". Desde suas origens, quando se convertiam, desejavam também que "toda a sua casa" fosse salva (§1655). O Concílio Vaticano II chama a família, usando uma antiga expressão, de "Ecclesia doméstica". E no seio da família que os pais são "para os filhos, pela palavra e pelo exemplo... os primeiros mestres da fé. E favoreçam a vocação própria a cada qual, especialmente a vocação sagrada" (§1656). Assim, cada pai e cada mãe saiba que é chamado a fazer da sua uma sagrada família, dedicando a ela, como São José, todo seu esforço e seu amor. Desta forma teremos um mundo mais feliz! *MARIO EUGENIO SATURNO é tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva [email protected]

Edição EDIÇÃO 16964




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