ARTIGO
Segunda-feira, 29 de Março de 2010, 22h:00
A
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LORENZO FALCÃO
Não vi. Só ouvi Latino
Não... não fui ver o Latino que fez show lá no meu bairro, o Recanto dos Pássaros, na inauguração da Avenida das Torres. Nem precisei ir. Com a potência do som e a proximidade da minha casa ao local, se eu fosse pra área de serviço, estava quase na ferveção. Mas não me queixo. Pô, sexta-feira à noite, que que tem ficar acordado até mais tarde um pouquinho, mesmo que seja ao som do Latino? Dó mesmo, eu senti foi de uma moradora do bairro, tão antiga quanto eu, que reside exatamente ao lado do lugar onde ficou o palco. No sábado, dia seguinte, encontrei-me com ela no mercado e perguntei como foi a sonzeira. Ela, que é bem cricri, bem zelosa pelos direitos e deveres coletivos, disse-me que tudo bem em relação ao som, que de fato não estava muito alto. O problema foi a podriqueira que ficou com a mijação no muro do comércio dela. É barra. É complicado, quando se junta a falta de educação do povo com a falta de planejamento dos organizadores. Outra coisa que reparei e que me entristeceu foi a realização de um show, que deve ter reunido alguns milhares de pessoas pelo menos, com toda a multidão a pisotear um gramado desses que se planta na forma de tapetes, recém plantado. Não sei se a grama vai resistir à horda de bárbaros. É, pode ser que sim. Que a grama resista. Um amigo meu, que estuda essas coisas de plantas, floras e faunas e ambientes, disse que se grama não fosse feita pra gente pisar nela, teria nascido árvore. No mais mais, sem queixas nenhumas. Justo e correto fazer show gratuito pro povão curtir. Tive a curiosidade de ir até a área do fundo lá de casa para escutar o Latino. Achei bonito o espetáculo pirotécnico. Isso sempre é bonito. Mas acho que deveriam inventar fogos mais silenciosos. Fico com pena dos cães e gatos que são mais sensíveis aos decibéis do que nós, humanos. Se cães e gatos votassem, Wilson Santos teria perdido muitos votos lá no meu bairro e adjacências. Canhãim! E enquanto Latino bradava, sentei-me na sala e optei por um programa mais light. Quer dizer, nem tanto. Rever o clássico Sem Destino, filme emblemático do final dos anos 60, dirigido e protagonizado por Dennis Hoper, que também tem Peter Fonda e Jack Nicholson. Nicholson, naqueles tempos, tinha até cabelo. Então, foi assim o meu final de semana. Não passei raiva por conta do latino. Guardei minha raiva e todo o ódio do mundo para os personagens caipiras de Sem Destino. A eles, portanto, todo meu ódio. Ah... E essa droga do Fluminense que levou de três do Vasco da Gama. *LORENZO FALCÃO escreve às terças-feiras neste espaço