Já está se tornando uma rotina escrever aqui sobre um espetáculo musical que acompanhei no final de semana. Sinal que a música dá pano pra manga nesta terra. Coisa boa de se escrever. Não me canso de dizer que a música tem evoluído de maneira significativa por estas bandas. Lembro-me de há exatos dez anos, quando trabalhava na TV Assembléia e levamos para uma entrevista ao vivo a fabulosa Aline Figueiredo. Conhecedora profunda dos saberes e fazeres culturais aqui do nosso pedaço, e de várias partes do mundo por onde já andou. Pois é, mas a Aline, né, enquanto conversávamos antes do programa e das câmeras ligadas porque depois que as câmeras se ligam, naturalmente o encanto se perde um pouco e isso é uma pena- dizia da força musical de Campo Grande em Mato Grosso do Sul que, naqueles tempos, devemos concordar com ela, a musicalidade sul-matogrossense era mesmo mais pujante. Polcas, chamamés e toda uma imensa gama da chamada música de fronteira, coisa que começa lá no Rio Grande do Sul e vem subindo pelas regiões fronteiriças brasileiras, e que são largamente difundidas nas cidades tupiniquins limítrofes e próximas dessas regiões. Isso, claro, de dez anos pra trás. Acontece que aí veio a internet e as percepções e influências musicais se multiplicaram no mundo inteiro. E Cuiabá parece ter se encaixado com louvor nessa de globalização. Estilos, gêneros, suingues, batidas, performances de tudo quanto é tipo a gente tem visto por aqui. Sons que oscilam entre o experimentalismo e a incipiência, e sons que se mostram maduros, com uma robustez e uma qualidade que lhes assegura conquistar o mundo. E esta segunda característica foi o que percebi no domingo a noite no Teatro da UFMT. O músico local Ebinho Cardoso, com o seu baixo, na companhia de mais dois baixistas virtuoses, o americano Grant Stinnet e o potiguar Sergio Groove, me deixaram boquiaberto, espantado mesmo. Claro que já tinha reparado em Ebinho e, sobretudo, sei que, unanimemente, ele é um dos principais músicos desta cidade, mas, particularmente, ainda não havia calhado de eu reparar nisso com a devida atenção. Bass Family foi incrível. Sorte das 200, 250 pessoas que assistiram. Os baixistas mostraram um domínio perfeito do instrumento e tinha hora que eles pareciam demonstrar que o braço do instrumento era pequeno ou fino demais, para a tamanha destreza que demonstravam. Batuques, sons guitarrescos e toda a sorte de estripulias foram cometidas, fazendo a plateia emocionar, se divertir, cantar junto etc etc etc. Não vou dizer que gostei de tudo, porque sou mesmo meio enjoado com música. Com as artes, de uma forma geral. Mas do que gostei... Gostei demais. Boa, muito boa música! LORENZO FALCÃO é editor do caderno Ilustrado e escreve neste espaço às terças-feiras
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