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ARTIGO
Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008, 21h:03

ANA P. P. G. RODRIGUES

Mulher-coragem

Em política muitas vezes a necessidade de alianças e acordos para acomodar as pretensões do jogo do poder leva muitas pessoas a contemporizarem e a não manifestar claramente suas posições. Mais vale dizer aquilo que o eleitorado quer ouvir. Para ganhar votos segue-se a corrente da opinião pública. Para não desagradar a maioria ou os companheiros de ocasião, ou ainda, para maquiar uma postura oposicionista elabora-se um discurso pasteurizado, que não corresponde à convicção do político. É exatamente a sinceridade política que está faltando atualmente no cenário mato-grossense. Os homens do poder vivem num mundo de faz de conta, não discordam e nem concordam, dizem sem querer dizer, silenciam quando a hora seria de botar a boca no trombone e fazer oposição clara. Porém, neste momento somente o que pesa são as alianças que podem ser costuradas, os interesses da hora. Caso alguém seja contundente em suas declarações as conseqüências podem ser adversas. Pode vir um contra-ataque, que será difícil rebater ou pode perturbar um acordo interessante para o futuro, o que é muito desgastante. É preciso manter a imagem. Vemos assim, que os políticos não têm posição, não tem um lado, ou melhor, só tem o seu lado, que é aquele que interessa para a manutenção do seu status no poder. Por tudo isso que, mesmo sem concordar com o conteúdo da declaração da Dona Terezinha Maggi a respeito dos candidatos eleitos a prefeito de Rondonópolis e Cuiabá, é importante avaliar a forma como foi dito o que ela afirmou. Dona Terezinha não poupou ninguém, e muito menos se preocupou em saber se estava agradando ou desagradando alguém. Disse o que pensa, sua opinião foi claríssima. Falou como pessoa independente, sem usar o fato de ser a mulher do governador, falou em seu nome e ponto. No final, a única crítica que recebeu foi a do deputado Carlos Bezerra (PMDB) que a chamou de nova rica e despreparada. Venhamos e convenhamos, que nascer em berço de ouro não torna ninguém melhor do que ninguém. Aliás, a contemporaneidade acabou com os privilégios de nascimento e mais, em qualquer lugar do mundo, uma pessoa que nasce em condição humilde e consegue fazer fortuna, trabalhando honestamente, e ascende social e economicamente, é motivo de orgulho e não de crítica. Vergonha para nós brasileiros e mato-grossenses são os políticos carreiristas que se orgulham em dizer que estão há mais de vinte anos no poder, que nunca tiveram nenhuma empresa e fizeram verdadeiras fortunas. Os outros simplesmente se calaram. Ninguém quer polemizar com uma pessoa que fala o que pensa. É como mexer num vespeiro. É preciso muita coragem para enfrentar alguém assim. A declaração de Dona Terezinha se destaca por ser diferente da postura esperada dos atuais donos do poder mato-grossense. Podemos ir mais longe na avaliação da declaração de Dona Terezinha. Quando observamos os grandes líderes políticos, constatamos que todos expressam com firmeza suas idéias, convicções e se posicionam com objetividade no cenário político. Caso contrário, não poderiam construir uma liderança, pois ninguém saberia a quem estão seguindo. Declarações polêmicas fazem parte do discurso dos líderes. Apenas para citar alguns nomes emblemáticos temos o presidente Lula, que fundou o PT, Leonel Brizola, que fez o PDT, Mário Covas do PSDB. Esses homens não dissimulavam seu pensamento e muito menos ficavam num partido político por conveniência, como aconteceu com o prefeito Wilson Santos, que segundo consta, permaneceu no PSDB porque uma pesquisa indicou que seus eleitores desaprovavam uma mudança de sigla, e por ai vai. Wilson Santos, de olho nas pesquisas que mostravam o alto índice de popularidade do presidente da República, passou toda a campanha elogiando e se dizendo amigo de Lula, enquanto seu partido faz uma oposição radical, com acusações gravíssimas ao atual governo federal. Ou seja, Wilson Santos é um tucano sem bico. E tucano que é tucano tem bico grande e bica forte. Na política mato-grossense está faltando novas lideranças com uma postura como a de Dona Terezinha Maggi. O PR, como um partido novo com pretensões de se fortalecer deve aproveitar Dona Terezinha como liderança. Neste meio no qual os homens ainda são maioria, a voz de uma mulher se faz ouvir com força e firmeza. Podemos concordar com ela ou discordar completamente, mas sabemos o que Dona Terezinha pensa, qual é a sua posição, a quem ela defende, de que lado ela está. Essa é a postura de um líder. Aí está alguém que mostra a cara, alguém com coragem o bastante para dar uma lição aos políticos de Mato Grosso e correspondendo ao anseio de toda a nossa sociedade. * ANA PAULA PONCINELLI GARCIA RODRIGUES é psicóloga e gestora governamental

Edição EDIÇÃO 16962




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