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ARTIGO
Quinta-feira, 29 de Maio de 2008, 21h:03

ONOFRE RIBEIRO

Muito mais do que parece

Tenho acompanhado as palestras e as discussões no Enipec – Encontro Internacional dos Negócios da Pecuária, que está se realizando desde quarta-feira até hoje, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá. Decidi escrever este artigo a respeito, para deixar algumas reflexões muito sérias ao leitor urbano e de outras áreas da atividade econômica em nosso Estado. É muito alto o nível das palestras e o grau de complexidade técnica nas abordagens dos temas propostos para discussão do agronegócio, da pecuária e da agricultura. As abordagens saíram daquelas discussões de como fazer isso ou fazer aquilo. Estão fundamentalmente ao nível da sustentabilidade econômica, social e ambiental, e mais, estão focadas em direções claras: o mercado, a qualidade, a competitividade e, creio que nunca se falou tanto em gestão tecnológica e em gestão ambiental. Engana-se quem pensa que o agronegócio mato-grossense é feito por um bando de loucos e pioneiros sem rumo. Essa fase do pioneirismo passou definitivamente. Hoje a economia primária na produção de alimentos saltou séculos em modernidade e em conexões tecnológicas. Como as populações urbanas têm um enorme preconceito contra a agricultura, contra os agricultores e contra todos que produzem alguma coisa fora do asfalto, precisam saber que esse setor da economia já entrou de cabeça no século 21, ao contrário da maioria dos setores urbanos, que ainda pensam pela cabeça do século passado. Ou se comportam pessimamente, como a gestão na maioria dos setores do serviço público, da política e de alguns cartéis da economia. Isso, sem falar nas maluquices sindicais e na ineficiência do Estado diante dos problemas crônicos como a infra-estrutura e a logística, versus sua eficiência em arrecadar impostos e em achacar os cidadãos. A faixa etária do público que assiste às palestras e participou dos debates é muito jovem. O grau de interesse, também. Pelo que se vê no enorme painel de palestras e de debate do Enipec deste ano, a economia da agricultura, do agronegócio e da pecuária, seguramente vai superar os demais setores da economia regional pela elevadíssima disposição de adotar e de utilizar tecnologias avançadas e adequadas às exigências dos mercados e dos consumidores. Burrice pensar naquele produtor de 10 anos passados. Não existe mais espaço para isso, e o que se sinaliza, a julgar pelo que se vê no Enipec, é a construção de um estado de Mato Grosso rico, moderno, sustentável e antenado com o mundo globalizado de agora e do futuro. Saí de lá ontem à tarde com a certeza de que o mundo urbano que vive nas casas, nos condomínios e nos prédios do asfalto, vai ter que melhorar muito para se nivelar ao mundo da produção de alimentos e de energias que está se construindo rapidamente diante dos nossos olhos em Mato Grosso, mas longe da janelinha dos apartamentos da cidade. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste [email protected]

Edição EDIÇÃO 16962




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