ARTIGO
Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009, 21h:23
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ALECY ALVES
Mudança necessária
Em tempo de rivalidade, disputando com Mato Grosso do Sul a chance de sermos subsede dos jogos da Copa de Futebol de 2014, talvez seja o momento de reavaliar e rever costumes do período em que os dois estados eram uma única unidade da Federação. Que, para surpresa de muitos, até hoje repetimos por tradição, hábito, preguiça ou mesmo falta de interesse pelo direito de pelo menos questionar. Esta semana, durante uma solenidade oficial do Governo do Estado, cumprindo uma determinação que agora é lei, todos os participantes ouviram ou cantarolaram o Hino de Mato Grosso no encerramento do evento. Refletindo sobre essa belíssima composição do sarcerdote e ex-arcebispo de Cuiabá, Dom Aquino Corrêa, enquanto tentava acompanhar a musica percebi que a composição cita, na verdade enaltece, apenas cidades do nosso estado rival Mato Grosso do Sul. Pois é. Estamos sendo contraditórios cantando as belezas da fauna e flora do Pantanal sul-matogrossense nas nossas solenidades oficiais quando no nosso íntimo esperamos que Campo Grande, a capital de MS, seja derrota nessa disputa. Além disso, somos um estado independente, com belezas e riquezas próprias de sobra. Devemos atentar para esse trecho da letra: Salve, terra de amor, Terra de ouro, Que sonhara Moreira Cabral! Chova o céu, Dos seus dons o tesouro, Sobre ti, bela terra natal! Dos teus bravos a glória se expande De Dourados até Corumbá(onde ficam essas cidades?),O ouro deu-te renome tão grande, Porém mais nosso amor te dará! Dourados e Corumbá, para quem não sabe, integraram o território sul-matogrossense antes da divisão do estado, há mais de 30 anos. Será que não tivemos tempo suficiente para mudar pelo menos os nomes das cidades? Talvez, se não abandonar o hino, em respeito ao compositor, seria o caso de elegermos outros municípios para serem enaltecidos. Mato Grosso do Sul tem hino próprio desde o ano da divisão. É uma composição dupla, de Jorge Antonio Siufi e Otávio Gonçalves Gomes, que em nenhum momento destaca nominalmente seus municípios. Portanto, se eles não cantam sua cidades por que nós o faríamos? ALECY ALVES é jornalista