ARTIGO
Segunda-feira, 15 de Outubro de 2012, 21h:13
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JANAÍNA MOREIRA BOMFIM
Momento cruel
Todo ano, nos últimos meses, começa o sofrimento. Todos ansiosos preparando-se para a cruel contagem de pontos. Cruel sim. Não porque temos que nos dedicar ao nosso trabalho e fazer tudo no prazo estipulado, ou porque devemos nos manter atualizados, ou ainda, ministrar cursos, tudo isso é obrigação de um bom profissional. Cruel por se tornar uma disputa entre pessoas que deveriam conviver com alegria, amizade, respeito. A contagem de pontos gera discórdia entre colegas. É muito comum, entre os profissionais da educação, a disputa pela vaga que se pretende. É claro que a disputa é algo saudável, mas somente quando não gera inimizades e transtornos. Entretanto, é dessa forma que ocorre na educação. Os coordenadores acompanham, durante todo o ano letivo, a participação efetiva de seus funcionários nos eventos da escola, na entrega de trabalhos em datas determinadas, no cumprimento do horário estipulado, e no fim do ano, os coordenadores apresentam uma espécie de relatório à banca de contagem de pontos. Certíssimo, é assim que os coordenadores devem proceder para que não haja injustiça. Porém, mesmo tendo a prova do cumprimento ou não-cumprimento do dever de cada funcionário, ainda há o desentendimento entre coordenadores, servidores e banca responsável pela malfadada contagem de pontos. A cada ano, na mesma época a da contagem de pontos professores e funcionários discutem entre si, mostrando claramente o descontentamento em relação à sua pontuação. Para quê tudo isso? Para quê todo esse stress? Não seria mais fácil e saudável simplesmente manter o quadro de funcionários e professores como está? É claro que alguns deverão ser remanejados ou até demitidos, mas o critério para isso deve ser somente sua eficácia e dedicação ao trabalho. O educador deveria ser escolhido por mérito e não pela quantidade de pontos que adquire com o tempo. É, ainda mais essa: quanto mais tempo a pessoa trabalhar no Estado, mais pontos ela terá. Estar muito tempo em um emprego, não significa que você se dedica exemplarmente a ele ou que gosta do que faz, muitas vezes, as pessoas apenas se acostumam ao que fazem. O que deveria ser considerado, volto a frisar, é a competência e dedicação de cada um. Um profissional que trabalha tão somente pela necessidade não pode ser comparado àquele que trabalha por/com amor. Esse sentimento é que faz a diferença, não uma quantidade de pontos estipulada por uma portaria. Quem trabalha com o que gosta, o faz com amor. É preciso resgatar o prazer pela educação, e não será num ambiente de inimizade que isso ocorrerá. Seria muito melhor que os profissionais da educação trabalhassem em conjunto a fim de melhorar o aprendizado e o desempenho de seus alunos, e não isoladamente com a finalidade de alcançar mais pontos que o colega. Faz-se necessário resgatar o companheirismo, a alegria, a amizade e o respeito entre os profissionais da educação, pois é de um ambiente assim que decorre o entusiasmo imprescindível ao exercício da profissão, visando ver discípulos superarem seus mestres. Para tal, é preciso que se extinga a tão cruel contagem de pontos. Sejamos avaliados por nossos méritos e não por números que, por muitas vezes, de forma errônea, nos classificam. *JANAÍNA MOREIRA BOMFIM - professora efetiva na E.E. Liceu Cuiabano Maria de Arruda Müller