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ARTIGO
Segunda-feira, 05 de Julho de 2010, 23h:01

ILSON SANCHES

Modelos importados

A Constituição brasileira em dois artigos (1º. e 170), em seus incisos primeiros (I e I), menciona as palavras, “soberania” e “soberania nacional” invocando a independência política e a independência econômica, respectivamente. Invoca ainda o mais amplo sentido da autonomia nacional em relação à utilização de modelos estrangeiros para, pelo menos, tentar solucionar problemas internos. Estes preceitos ou princípios não têm sido respeitados pelas políticas públicas e nos tem levado aos resultados, não só pífios como igualmente a formalizar alguns dos piores indicadores setoriais, como, por exemplo o da educação, hora anunciado na mídia, como outrora também o foi. A utilização de métodos que não se coadunam com a nossa realidade tem sido objeto de contestação ao longo da história brasileira. Houve uma época em que os economistas apelidados de “Chicago’s boys” predominavam nas instituições que elaboravam as políticas públicas no Brasil e muitas delas provocaram desastres econômico-financeiros de graves efeitos no emprego, na renda, nos juros e nos investimentos elevando a inflação a índices catastróficos. A tentativa de corrigir tais equívocos proliferou a criatividade de Planos que até hoje ainda apresentam efeitos e conflitos judiciais ainda não resolvidos, como os expurgos inflacionários na poupança. Não bastassem tais equívocos ainda convivemos atualmente com verossimilhanças no setor educacional, muitas vezes decantados como sujeitos de aplicação de políticas equivocadas, e que nos tem colocado nos últimos lugares da classificação e na comparação com outros países. E o problema maior nem é isso, pois com esses resultados o país não consegue superar suas limitações e muito menos é capaz de criar riquezas à altura de sua potencialidade. A falta de tecnologia original e conhecimentos científicos limitados nos tornam, a cada dia, mais dependentes de outros países e a remeter lucros que deveriam premiar uma produtividade genuína. Torna-nos cada vez mais distante das grandes nações e mais cruéis com o nosso próprio povo. O uso de modelos que não se adaptam à nossa realidade e que não correspondem a ela nos torna estrangeiros em nosso próprio país, onde nos sentimos até mesmo dependentes e omissos ou mesmo contaminados ou condenados e a não procurar métodos, na sua maioria simples, para superar tais limites. Prova disso é que não temos a cultura empresarial de nos associarmos com as universidades na troca constante de experiência com a prática das empresas e modelos experimentais para aumentar a produtividade de ambas, empresas e universidades. Planos e Departamentos de pesquisas e desenvolvimento nas empresas são raros. Especialistas, mestres e doutores não são chamados para solucionar problemas pontuais ou para definir programas de médios e de longos prazos, o que leva constantemente a sérios problemas na prática dos projetos. Métodos e teorias, como conseqüência são erroneamente utilizados e confundidos chegando a se constituir em políticas governamentais defendidas por instituições oficiais especializadas. A revista Veja, edição nº. 2164 trouxe uma abordagem de tais equívocos nas palavras de um doutor em Educação, João Batista Oliveira que citando um desses exemplos explicou: "O construtivismo pode se tornar sinônimo de ausência de parâmetros para a educação, deixando o professor sem norte e o aluno à mercê de suas próprias conjecturas". Assim, e radicalizando na opinião afirma a Revista que “por preguiça ou desconhecimento, essas abordagens radicais da teoria de Piaget são a negação de tudo o que trouxe a humanidade ao atual estágio de desenvolvimento tecnológico, científico e médico”. Tais equívocos já deveriam ser abolidos de nossa história científica na educação e na cultura de nossa gente, o que deve, obrigatoriamente, constar das novas políticas e programações daqui para frente, pois ainda há tempo, numa visão otimista. * ILSON SANCHES - Advogado e Professor Universitário www.ilsonsanches.com [email protected]

Edição EDIÇÃO 16960




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