Poucos se lembram e os que o fazem não conseguem dar a dimensão exata ao projeto do ex-prefeito Roberto França: o Passe Livre. A concessão da gratuidade aos estudantes da capital permitiu, por exemplo, que a evasão escolar diminuísse; fez com que o Cuiabá Vest se tornasse uma realidade; permitiu que muitas famílias colocassem seus filhos em escolas particulares e, para não me alongar, melhorou, até, o nível nutricional de nossas crianças e jovens, já que o se deixa de gastar com passagens de ônibus, compra-se comida. Sabe, Roberto, hoje, milhares passam livremente para o mundo do saber por causa de um gesto de nobre e visionário teu... Cuiabá cresceu, as ruas diminuíram, os carros aumentaram e, agora, vem uma copa do mundo. Se, atualmente, está quase impossível a mobilidade; em pouquíssimo tempo, estará impossível. Aí começa a discussão BRT x VLT. Uns afirmam que foi o senador Blairo que, à época, quem optou pelo BRT; outros juram de pés juntos que o deputado José Riva é VLT desde criancinha. Desses dois filhos... eu desconheço a paternidade. Mas, em meus parcos conhecimentos, não posso negar: o Riva tem razão. O VLT tem muitas vantagens sobre o BRT. Dentre elas, a de ser menos poluente e menos agressiva ao centro histórico (pra mim, as mais importantes de todas), imaginem um meio de transporte elétrico, sem pneus e silencioso. Nesse bonde moderno o risco de acidente é praticamente nulo. Esqueçam aqueles solavancos e freadas bruscas do ônibus; aliás, comuns também no BRT. Enquanto um BRT dura cinco anos; o VLT chega facilmente aos vinte e cinco. E tem mais um montão de vantagens, todas acessíveis ao leitor mediano, por isso vamos às desvantagens: custo mais elevado e financiamento público. Ambos perfeitamente questionáveis, se levarmos em conta o tempo de uso, os ganhos ambientais e urbanísticos, a eficiência, a ausência de acidentes e a humanização do transporte coletivo. Há os que dizem que a passagem do VLT seria mais cara. Discordo: primeiro, essa tarifa tem controle do conselho municipal de transportes urbanos, da prefeitura e, até, do parlamento municipal; segundo, se transporta mais pessoas, se possui uma matriz energética mais barata, como seria mais caro que o BRT que usa diesel? Tudo isso faz com que os cidadãos questionem sobre o conflito de interesses envolvidos nesse importante projeto que tem por objetivo minorar o problema da mobilidade urbana na Cidade Verde. Quando Cuiabá era do Porto ao Quilombo, ia da ponte do Coxipó até o 16 BEC, era fácil andar. Asfalto, não tinha; carro, era pouco... quase que nem precisava molhar a rua com mangueira (que me desculpem os ambientalistas, mas que era bom, ah, era...), quase ninguém pegava ônibus. Hoje, tudo mudou e a sociedade e os agentes políticos precisam pensar que a realidade cuiabana é marcada por um gigantesco abismo social e não é diferente no direito de ir e vir de nossa gente; assim, é mister que tenhamos um transporte urbano sustentável e acessível a todos. *SÉRGIO CINTRA é professor em Cuiabá
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