ARTIGO
Terça-feira, 24 de Setembro de 2013, 19h:48
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ALECY ALVES
Misticismo chapadense
Depois de experimentar um sanduíche climático, com tempo seco e temperaturas que variaram de 40 a 18 graus, comecei a semana sem voz, portanto incapacitada para o exercício pleno de minha principal atividade, entrevistar. Reporto neste espaço uma história que ouvi na mística e encantadora Chapada dos Guimarães(65 km de Cuiabá). O contador dessa história, simplesmente pela idade, no alto dos seus 80 anos, merece todo o meu respeito. Seo Manoel Messias Brito, pai da minha amiga Ângela, nos contou, em clima festivo e sem cerimônia, a experiência que viveu recentemente em seu sítio, no pé de encosta Chapada. Estava ele e seu filho, Aprígio Brito, outro nato contador de estória e história, se preparando para dormir quando uma cobra os surpreendeu na sala da moradia rural. Precavido, Manoel Messias tinha em mãos um cipó de guatambu, com o qual desferiu um golpe que atingiu o rabo do animal peçonhento. Com uma velocidade que impressionou pai e filho, a cobra rastejou para o quarto e lá desapareceu. Procura daqui e dali, já cansado e com sono, seo Manoel Messias, enxerga a peçonhenta carnívora devorando uma lagartixa. Daquele momento veio a maior surpresa da noite. Manoel Messias, para espanto do filho, decidiu dormir e deixar a bichona entretida com o pequeno invertebrado. Vamos dormir, amanhã a gente resolve o que fazer com ela, decretou o corajoso patriarca dos Britos chapadenses. Satisfeita, ela não representa riscos, não vai nos pertubar, avaliou. E foi assim que Aprígio Brito teve uma das mais(se não a) longas e perturbadoras noites de sua vida. O filho conta que não conseguiu dormir e nem ao menos pôde ir ao banheiro, mas rezou para o dia amanhecer mais rápido. Quando a esperada hora chegou, pai e filho se levantaram e, mais que depressa, constataram que a cobra, como havia previsto seo Manoel Messias, permaneceu no mesmo lugar. Depois de literalmente passar a noite na companhia de uma cobra, agindo cuidadosamente, os dois conseguiram expulsar o animal da casa com outras varadas de guatambu. Como sempre se espera, independente do lugar, o dia seguinte à venenosa visita foi tranquilamente no sítio dos Britos, embalado pelo som dos pássaros, da água correndo no riacho e do vento nos galhos das arvores. ALECY ALVES é repórter