A presidente Dilma Rousseff precisa criar, com urgência, seu 38º ministério. Ultrapassamos todos os limites da paciência, da leniência e do bom senso. Não há mais a menor possibilidade de continuarmos como estamos. O Poder Executivo virou indústria de crimes, o Poder Legislativo é um bacanal federal e agora usa nosso dinheiro até pra pagar noitadas em motel para deputados e o Poder Judiciário, onde estão os maiores salários do país, comporta-se como um berçário de vagabundos e um cemitério de togados à toa. É urgente, é premente a criação do Ministério de Estado da Vergonha na Cara. É uma vergonha ou falta dela perceber a capacidade que um mau político tem de desconstruir toda sua trajetória em questão de dias. Só na primeira semana do governo dilmista, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, conseguiu arregimentar quase a totalidade dos cenários tétricos da política nacional. Ilustre representante do PMDB, o ministro humilhou e desdenhou da inteligência do povo, decidiu fazer puxassaquismo com dinheiro público e viu desvelada a iniquidade de sua gestão em uma denúncia da maior emissora de TV do país. E imaginar que esse homem já foi presidente do Supremo Tribunal Federal. Fica claro que a Suprema Corte brasileira tornou-se um forno de elementos duvidosos. Enquanto enfiava goela abaixo do brasileiro um suspeito convite para justificar as férias do ex-presidente Lula e sua família de recente diplomatas bancadas com dinheiro público em uma instalação do Exército no litoral paulista, o ministro Jobim autorizou a compra de artigos de luxo para equipar o Forte dos Andradas, cinco dias antes dos Lula da Silva desembarcarem nas praias privativas dos militares no Guarujá. Vamos colocar na ponta do lápis: quanto dos impostos que o povo brasileiro é obrigado a pagar irá consumir a pajelança do ex-presidente Lula e sua família? E mais: tratando-se de um convite especial e pessoal feito pelo ministro que queria fazer uma média com Lula para forçar sua permanência no governo Dilma por que Nelson Jobim não paga essa fatura lulista do próprio bolso, ao invés de usar dinheiro público? Onde está a vergonha na cara, minha gente?! Para piorar um pouco mais, no último domingo, a Rede Globo colocou no ar uma matéria devastadora para o ministro da Defesa. O repórter Eduardo Faustini, entre o Natal e o Ano Novo, passou tranquilamente pela fiscalização dos principais aeroportos e embarcou em todos os aviões com uma réplica fiel de um fuzil AR-15, um quilo de açúcar num saco transparente para simular cocaína e R$ 100 mil em dinheiro cenográfico. Tudo dentro de uma mala. Ninguém, absolutamente ninguém e isso é assustador percebeu. Constatou-se, portanto, que os aeroportos brasileiros não oferecem qualquer segurança aos passageiros e ao país. Os terminais, a Infraero e a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) estão sob a batuta do excelentíssimo ministro Nelson Jobim. Fica a pergunta: isso é gestão da Defesa de quem? Dos interesses nababos da família Lula? Porque dos brasileiros certamente não é. Vergonha na cara, minha gente. Vergonha na cara. E se alguém tinha alguma dúvida de qual era a porta de entrada do tráfico de armas e drogas no Brasil, não há mais o que questionar. Assim como comprovou a reportagem, qualquer pessoa pode entrar e sair dos aviões e dos aeroportos brasileiros com armas, drogas e grandes volumes de dinheiro sem o menor problema. Não há credibilidade, fiscalização, Polícia Federal ou qualquer outra autoridade capaz de perceber quiçá impedir ou prender um bandido transportando armas e drogas livremente entre os Estados da Federação ou prestes a sequestrar uma aeronave e colocar em prática um ataque terrorista. Vergonha na cara?! O que é isso? É importante observar que deixar o país e os brasileiros à mercê da insegurança é uma estratégia capitaneada pelo PMDB com apoio do PT. É a tática da dona de casa que deseja um aparelho de jantar novo e começa, distraidamente, a deixar cair e quebrar a louça antiga. O partidão, tendo como porta-voz o governador fluminense Sérgio Cabral correligionário do ministro Jobim e de quem recebeu aquela ajuda nas pseudoinvasões das favelas cariocas quer a privatização dos aeroportos brasileiros. Mas como justificar as vendas se a presidente Dilma Rousseff falou tão mal e utilizou as privatizações como bandeira de sua campanha eleitoral? Simples: abandona-se ao descaso e à insegurança, deixando-os apodrecer, e depois coloca-se em leilão por uma pechincha. O mesmo vem acontecendo com os Correios, sob gestão fisiológica, que nos últimos anos perdeu qualidade, credibilidade e virou antro de escândalos de corrupção. Privatizar os aeroportos e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos é uma prioridade do PMDB e do PT. Mas e a vergonha na cara, fica onde?! Pelo visto, não há limites para a absoluta falta de vergonha na cara dos políticos brasileiros. Brincam com a vida e com o dinheiro do povo. Deixam-nos no inferno da insegurança e do descaso. Fazem sacanagens grotescas com os cidadãos. Esculhambam a honestidade de uma nação. Desdenham daquilo que nos é mais caro. E se bobear, nossas excrescências políticas vão abrir licitações para comprar a vergonha na cara superfaturada que não lhes é nata. Afinal, no Brasil, dinheiro público é fácil e é dinheiro de ninguém. Ou pior: apenas de alguns. * HELDER CALDEIRA, escritor, colunista político, palestrante e conferencista
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