* BENEDITO R. DA SILVA
Existem mais de 8 milhões de famílias, brasileiras, que não possuem uma residência, mesmo a mais simples possível. Milhares de pessoas constroem algum quebra-galho nas encostas de morro, nas baixadas, próximo de rios e de riachos. È comum assistirmos a imprensa noticiar dezenas de acontecimentos desagradáveis como deslizamentos de terra, de alagamento de casas, causando inúmeras mortes e prejuízo para centenas de famílias. Em Cuiabá já existe o Programa de Arrendamento (PAR), programa da Caixa Econômica Federal em convênio com o Governo Estadual; mas esse programa de habitação exige que a família tenha o nome limpo no Serasa e no SPC e ainda tenha uma renda mínima de R$ 800,00 (Oitocentos reais), pois terá de pagar R$ 230,00 (duzentos e trinta reais), aproximadamente, por mês. É difícil a aquisição dessas casas por um casal que não preencha esses requisitos. Mais de 30% da população cuiabana, - são famílias que não se encaixam nesse faixa salarial exigida pela Caixa Econômica Federal. Existe o Programa de Habitação custeado pelo Fetahb, - órgão criado pelo governo estadual, cujas casas são praticamente de graça, pois quem adquirir uma casa desse programa irá pagar somente R$ 50,00 (cinquenta reais), por mês. Porém o referido programa só dispõe de algumas centenas de casas à disposição dos mais necessitados. Com a propaganda do programa arrojado do Governo Federal Minha casa, minha vida, muita gente, sem teto, pensou logo; - agora vou ter minha casa própria. Quando as construtoras e imobiliárias lançaram o plano de vendas dos imóveis houve um ligeiro corre-corre de interessados na aquisição de algum imóvel, pois segundo a propaganda, seria de muito fácil aquisição, com grande facilidade de pagamento, inclusive com subsídio de R$ 17.000,00 (dezessete mil reais), do Governo Federal. Ouve, no começo, uma grande euforia! Mas quando foi-se aprofundando nas planilhas de preço, muita gente sentiu-se frustrada, diante da impossibilidade de conseguir financiar seu primeiro e tão sonhado imóvel. A bem da verdade, nenhum lançamento cumpria e se encaixava na ótica do Minha casa, minha vida, para os assalariados. Ouve e está havendo um verdadeiro boom na área da construção civil, movimentado pela classe média cuja renda seja maior de R$ 2.000,00 (dois mil reais), pois o famoso subsídio começa para quem ganha a partir de três salários mínimos, porém tem que dar uma entrada de 40% do valor do empreendimento apartamento, por exemplo. Já pensou? 40% de R$ 110.000,00 (cento e dez mil reais) é R$ 44.000,00 (quarenta e quatro mil reais), pagos em apenas dezoito meses! Então, onde está o subsídio? A Caixa Econômica financia muito mais, não importa o valor, mas o pretendente terá que ter um salário bem maior do que o teto mínimo exigido. Do jeito que está só a classe média média e a classe média alta terão condições de adquirir seu primeiro imóvel. E os 70% de famílias assalariadas ficarão de olho no futuro, mais uma vez! É necessário que o governo libere financiamento para a construção de imóveis populares para que a classe assalariada possa também adquirir o teu sonhado imóvel. Quem sabe ainda em tempo o governo descubra que os lançamentos em voga não passam de um remendo e que os atuais planos estão aquém do poder aquisitivo do povo assalariado. O governo verá também que o povo, pobre, continuará sem condições de comprar seu próprio imóvel. E aí sim, poderemos repetir o lindo refrão do presidente Lula: Minha casa é minha vida! * BENEDITO RUFINO DA SILVA, Professor
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