A dengue hemorrágica chegou de forma arrasadora na Grande Cuiabá. Em três meses, matou sete pessoas contra três do ano passado inteiro. Não é à toa que foi montada uma verdadeira operação de guerra contra os mosquitos. O governo montou as estratégias para dizimar os mosquitos, principalmente as larvas e também está capacitando os médicos e enfermeiros. Até que se saiba, os mosquitos estarão em desigualdade nos combates. Nesta guerra, só falta mesmo combinar com a população que ainda não acordou para a realidade. A população não colabora porque não existe tipo alguma de penalidade como ocorreu com o uso do cinto de segurança e também com o apagão. Quem fosse flagrado sem cinto seria multado e poderia ter a carteira de motorista suspensa. Os motoristas passaram a seguir a regra e o hábito pegou. Em relação ao apagão, há oito anos, a sanção foi mais dura ainda. Caso a pessoa ultrapassasse o limite reduzido por sinal poderia ter a luz cortada, o que seria pior. Ficaria no apagão total. As famílias fizeram das tripas o coração para não ultrapassar o limite, para gastar o mínimo. No dois casos, ficou a lição. Hoje se o uso do cinto não fosse mais obrigatório, 90% das pessoas continuariam usando esse equipamento de segurança. O apagão não existe mais, as famílias, porém só gastam o necessário banindo de vez o desperdício. Duas obrigações se transformaram em hábito saudável. Agora vem a dengue, mais uma vez. As pessoas ainda não foram penalizadas ao deixar água parada em casa ou no quintal de sua propriedade. Deveria haver uma multa inclusa no IPTU, por exemplo, para quem não cumprisse sua parte ou algo semelhante. Com isso, as pessoas vão levar a sério e criar mais um hábito saudável. Já imaginou uma pessoa ao vender um imóvel e na documentação aparecer um carimbão dizendo que a casa ou apartamento foi negligente no combate a dengue? E que a multa foi valor x. Quem for comprar, saberá que tipo de imóvel estará adquirindo. Será mais uma cobrança moral do que financeira. Ações e projetos nas quais os governantes mexem na parte mais sensível do brasileiros o bolso conseguem êxito. Quando não tem multa por menor que seja, está destinada ao fracasso. Ficam somente na boa vontade. A história mostra que, infelizmente, somente na pancada é que as pessoas aprendem. ADILSON ROSA é jornalista