ARTIGO
Terça-feira, 29 de Março de 2016, 20h:01
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TÂNIA NARA MELO
Merecemos respeito
Não há como ficar indiferente à situação por que passa o país neste momento. Aliás, estamos em evidência no mundo todo, estamos nas manchetes dos principais jornais. Uma sucessão de acontecimentos que, sinceramente, ainda não sei aonde tudo isso vai nos levar. O momento é de muita apreensão. E de indignação. O governo parece ter perdido o rumo, e com o barco à deriva tenta encontrar um meio de chegar a um porto seguro antes do fatídico naufrágio. Para não deixar o barco afundar e, principalmente, para salvar a própria pele, a presidente Dilma Rousseff viu como sua tábua de salvação a nomeação do ex-presidente Lula como o ministro-chefe da Casa Civil. O tiro, no entanto, pode sair pela culatra. A posse do ex-presidente foi suspensa, o movimento nas ruas pedindo sua saída do governo continua forte e o rito de impeachment corre acelerado na Câmara dos Deputados. A situação que já estava ruim ficou pior após a última etapa da operação Lava Jato, com a divulgação das gravações das conversas com Lula e outros membros do governo, que deixam transparecer que a nomeação do ex-presidente foi uma estratégia para dar a ele foro privilegiado. Pode até não ser verdade, mas que parece, parece. Confesso que tal situação me deixou constrangida, triste, envergonhada mesmo. E até agora, passados mais de dois dias da divulgação dos telefonemas, não vi ninguém se desculpar pelas citações grosseiras e mal-intencionadas que nos foram mostradas pela mídia. O que mais vi, aliás, foram posturas arrogantes que apenas dizem que as escutas, que foram autorizadas pela Justiça, são ilegais. Ninguém questionou o conteúdo das conversas, apenas sua legalidade. Quer dizer que se forem ilegais não são verdadeiras? Como assim? Legal ou ilegal, o fato é que não há como simplesmente passar uma borracha e apagar o que foi dito. E o que foi dito nos mostra o lado real, sem filtro, dos interlocutores, que acreditam estar acima da lei e que podem usar de todos os meios para se manter no poder. Sua principal estratégia não é reconhecer a culpa, mas fazer crer que o acusador é o culpado. No caso, o culpado seria o juiz Sérgio Moro. Vergonha alheia de tudo isso. Antes de mais nada, aviso que não tenho preferência partidária, apenas sou cidadã brasileira que cumpre com seus deveres, e espera o mesmo de quem comanda o país. Meu partido é o Brasil, que merece o respeito de todos, indistintamente, especialmente daqueles que são sustentados pelos trabalhadores desse país. Quem paga o salário deles somos nós, cidadãos brasileiros. Portanto, eles nos devem não apenas respeito, mas também satisfação de seus atos. Ah!, o único a se desculpar foi o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Mas, convenhamos, a emenda ficou bem pior que o soneto. TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião do Diário