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ARTIGO
Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010, 19h:55

CAROLINA HOLLAND

Menos exposição, por favor

Algumas pessoas ainda não conseguiram entender que nossa vida online é uma extensão da nossa vida real. As pessoas não conseguem perceber a visibilidade e proporção que as coisas ganham na internet. Quando elas conseguirem assimilar isso, vão se dar conta do quanto se expor nas redes sociais é de uma imbecilidade sem tamanho. (Antes de continuar, deixe-me fazer um comentário. Para mim, o problema é um pouco mais amplo. Envolve a questão da privacidade, que passa por uma crise sem precedentes – e provavelmente sem volta. A internet apenas potencializou o problema). Retomando. A privacidade perdeu espaço. Com a internet, então, ela foi liquidada. Reduzida a pó. Fotologs - lembram deles?-, blogs, Orkut, Facebook e, mais recentemente, o Twitter, todo mundo tem um perfil online. O difícil é compreender a dimensão disso. E repito: os perfis online são uma extensão da vida real. Sendo assim, seus comentários, divagações, discussões com outros internautas e fotos estão sendo vistos por seus amigos, colegas, familiares e muito, mas muito provavelmente, por seu chefe. Vamos ficar apenas no Twitter para citar exemplos. Nesse período eleitoral, alguns tuiteiros de plantão extrapolaram todos os limites da etiqueta para internet (se não existe, deveria existir). E dá-lhe xingamento e bate-boca, sejam os personagens os coordenadores das mídias sociais defendendo seus candidatos, sejam filhos ou cônjuges dos candidatos defendendo com unhas e dentes seus entes queridos. Se discutir em público na vida real é péssimo, bater boca e trocar acusações na rede é pior, por causa das proporções que esses fatos tomam. E quem perde é o internauta. O espaço que poderia ser utilizado para troca de idéias e de informações, acaba virando um espaço a mais para baixaria. Queridos, façam o favor de discutir no MSN, por telefone ou, melhor ainda, ao vivo. Um tipo típico também é o tuiteiro que fala mal dos colegas de trabalho. Ou reclamam do trabalho em si, do tempo para fazê-lo, do chefe. Parecem esquecer que fica tudo publicado, à disposição de quem quiser ler. Um desabafo pode custar caro. Há casos de demissões por comentários no Twitter. Se a necessidade é desabafar, é melhor usar outro meio. A internet traz também um agravante. Se ‘apagar’ os erros quando não estávamos tão conectados já era difícil, as pessoas precisam colocar na cabeça, de uma vez por todas, que a rede mundial de computadores é uma memória praticamente infinita. E um dia ela vai te cobrar. * CAROLINA HOLLAND é repórter

Edição EDIÇÃO 16962




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