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ARTIGO
Quinta-feira, 25 de Junho de 2015, 20h:19

VICENTE VUOLO

medíocre

A política brasileira está doente, capenga, sem pernas, rastejando como uma cobra sem saber para onde ir. Deveríamos ser os semeadores deste país. Cultivá-lo como ele é e pelo que é. E encontrar a nossa vida saudável, feliz, o nosso lugar de verdade. Infelizmente, por falta de lideranças e estadistas, isto está muito longe da imaginação dos atuais políticos. O imaginário deles remete à busca insaciável pelo poder, a expansão ilimitada que destrói o meio ambiente e a propaganda escancarada pelo incentivo de produtos de consumo. É nesse imaginário que o sistema se apoia. Não se trata de políticas, mas de políticos, poucos se salvam. Na maioria, são pessoas que pedem o voto de toda e qualquer maneira. Sem propostas, sem programa algum. Nem que seja necessário mentir. O seu objetivo é permanecer no poder ou voltar ao poder e, para isso, são capazes de tudo. Para o pensador Augusto Cury, “um ser humano inteligente discute ideias. Um ser humano mediano discute comportamentos, como fatos, estilos e conceitos. Um ser humano superficial discute pessoas, quer dizer, suas roupas, projeção, imagem. Onde vocês se encontram?” De acordo com a romancista, poetisa e tradutora Lya Luft, “Estamos carentes de excelência. A mediocridade reina assustadora, implacável e persistente. Autoridades, altos cargos, líderes, em boa parte desinformada, desinteressada, inculta, lamentável. Alunos que saem do ensino médio semianalfabetos e assim entram nas universidades, que aos poucos – refiro-me às públicas – vão se tornando reduto de pobreza intelectual”. Acredita-se que o potencial criativo humano tenha início na infância. Por isso, o fortalecimento da educação básica é essencial, ainda bem distante do ideal. Criar só é possível quando o cérebro detém uma grandiosa e alargada variedade de conhecimentos e informações, fazendo com que as associações de ideias, ocorram de uma forma mais fluida e direcionada. Na Inglaterra, desde a década de 1950, as crianças, em seus primeiros momentos na escola, começam a receber ensinamentos sobre comportamento, ética e filosofia. Isso vai orientá-las pelo resto da vida. No Brasil, há alguns anos, isso também tem sido prática em algumas escolas de educação infantil e ensino fundamental. Mas é uma experiência que precisa ser expandida. Mas, além disso, em um país que vivencia uma forte crise moral, que se reflete e se amplifica nas assembleias legislativas e no Congresso Nacional, ética, valores, respeito e responsabilidade, deveriam ser temas cotidianos, nas televisões, nas casas, nas igrejas, nos sindicatos, nas empresas. O Brasil sempre foi visto como o “país do futuro”. Na verdade, de um país subdesenvolvido, com índices de miséria alarmantes, nós conseguimos avançar muito nessas últimas décadas. Mas não podemos ficar achando que tudo se resolve pela inércia. O que conquistamos do ponto de vista da economia, da tecnologia e da infraestrutura, pode se perder se não tivermos a capacidade de construir uma sociedade forte, com ética, integridade, responsabilidade e compromisso como próximo. E, para fazer isso, precisamos mudar a política. Mais que uma reforminha cosmética, precisamos de uma reforma política séria e profunda. Precisamos de uma reforma política que estabeleça regras republicanas e que motive a juventude a participar da vida política, na busca de ideais e não de dinheiro e poder. * VICENTE VUOLO é economista, cientista político e analista legislativo do Senado Federal. [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
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