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ARTIGO
Sexta-feira, 27 de Junho de 2008, 20h:59

ANTONIO CAVALCANTE FILHO

Marco histórico contra a corrupção

O MCCE tem como objetivo assegurar o cumprimento da Lei 9840, como um meio de eliminar paulatinamente a corrupção em nosso País, afastando da vida pública os maus políticos. Essa lei, a primeira de iniciativa popular é para o MCCE, um marco histórico no combate a corrupção e suas mazelas. Nós, que militamos nesse movimento, nos fizemos fiscais intransigentes da aplicação dessa lei. É claro que no Brasil, onde a corrupção sempre campeou solta e de mãos dadas com a impunidade, as nossas ações ferem em muito os interesses dos "poderosos" que há séculos se beneficiam de um sistema injusto, do qual o padre Antonio Vieira, ainda no Brasil colônia denunciava: "no Brasil, roubar pouco é culpa, roubar muito é grandeza". Era comum no período do império o ditado popular que dizia: "no Brasil, quem rouba pouco é ladrão, quem rouba muito é barão. Já no inicio da República, Rui Barbosa nas suas oratórias reclamava: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto." Atualmente é o professor Luiz Otávio de Oliveira Amaral, coordenador pedagógico da Faculdade de Direito da Universidade Católica de Brasília (UCB), que afirma: "Tal qual uma infecção generalizada que mata por falência do organismo, a corrupção está matando nosso País. As partes ainda sãs de nosso organismo nacional não conseguem sequer enfrentar a decomposição moral, rápida e paulatina, do Brasil. É bem este o quadro geral do doente chamado Brasil, e esconder a gravidade desta doença só contribui para seu alastramento. A corrupção é a doença que mais ameaça o Brasil, mais que a Aids, que o enfarto, que o câncer, que os traumas violentos”. Como se vê, o quadro que hora vivenciamos é assustador. Querer nos tachar de exagerados, é não estar sensivelmente antenado ao vergonhoso estado de degradação das nossas instituições. Com tanto maquiavelismo ladrão por parte de agentes públicos não se vê nenhum deles na cadeia. Não temos como negar, que tal qual o Brasil colônia, ainda hoje a justiça só funciona contra os pobres. E isto é estatisticamente comprovado. Os militantes do MCCE desejam com ardor exercer efetivamente a cidadania. Não nos satisfazemos apenas com o exercício do voto. Queremos ser agentes de transformação social. Queremos participar, fiscalizar, denunciar, cobrar e exigir. Desejamos de fato e de direito assumir a nossa parcela de responsabilidade no controle da corrupção em nosso País. Finalizando, não reconhecemos nenhum "Deus" no serviço público. Do vereador ao senador, do prefeito ao presidente da Republica, do juiz de primeira instância ao ministro do Superior Tribunal Federal, são todos servidores públicos como qualquer outro servidor. E se vivem sustentados com o dinheiro do povo, ao povo eles tem satisfação a dar. * ANTONIO CAVALCANTE FILHO, coordenador do MCCE-MT [email protected]

Edição EDIÇÃO 16962




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