ARTIGO
Segunda-feira, 10 de Setembro de 2012, 23h:04
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ERNANI L. P. DE SOUZA
Manga Massadu e Gaio Catado
Recordo-me dos tempos de rapagote (lembra garrote né pessoal? Xó!!!) quando cismávamos em ir catar mangas, mas não manga massadu, aquelas que despencavam naturalmente das grimpas das mangueiras. A saída era subir diretamente na mangueira ou então aproveitávamos as longas taquaras dos taquarais, nas quais amarrávamos lata de leite ninho em sua ponta com arame e colhíamos somente as mangas perpitolas. Quanto as manga massadu, aquelas somente tinham serventia para alimentar galinhas criadas soltas pelos quintais ou para alimentar porcos criados em chiqueiros com muito asseio. Isso tudo ocorria nos quintais das residências aos fundos da av. XV de novembro, no bairro do Porto. Outra serventia das mangas massadu era sua utilização para munição, quando ocorria uma franca guerrilha entre nós. O resultado era todo mundo lambrecado de meleca de manga, e aproveitávamos, também, para lavarmos dando umas boas braçadas na Hidráulica, o lugar fundo do Rio Cuiabá. De quebra, pegávamos uma boa quantia de lambaris, no anzolinho, e subíamos na maior farra, retornando aos quintais e já agilizando a catação de gaios secos de árvores caídos ao chão (lenha), fazendo a distinção entre galhos duros de galhos moles, sendo que estes últimos faziam muita fumaça ardia pra caramba no oio - na hora de fazer e acender o tacurú e preparar a fritada da lambarizada, acompanhada de uma senhora farinha do Morro Grande. Não vou nem falar sobre fritada de lambaris feita na baía do Azeite (de lambaris), porque pode de ter mulher grávida lendo este artigo e inche boca dágua e ainda vai deseja tressol pra mim, vote. (não falei em voto pra candidato, ainda não...) O tempo bom e bem vivido junto a natureza, porém, não dávamos mole para os seus caprichos, mas sem agredi-la de maneira irremediável. O fato é que veio a urbanização, que muitos chamam de natural, que até certo ponto concordo, pois, vocês já viram cidades criadas à beira de rios que não tenham estradinha para pescador? Daí a origem, provável, de nossas ruas estreitas em muitos pontos da nossa cidade, transformado nesse caos humilhante e torturante dos dias de hoje. Uma pena que o permissivismo público-político acabou gerando uma urbanização natural anárquica, onde a falta de calçadas, ruas, praças, etc. está nos conduzindo para uma breca do trânsito, que consome uma soma relevante de recursos decorrentes de acidentes, multas, agora feitas pelo artesanato da multa (por favor Sr. Prefeito Galindo dá uma anistia pra nós aí nesses tempos de trânsito mais tumultuados ainda). Não estou negando aqui a importância das obras da copa, aliás nem sei se vou estar junto com a patroa até lá, pois, como sou fiscal da copa, faço questão de passar pelos locais onde tem obras, daí a patroa fica até azu de raiva. Mas retomando a prosa mais séria, o banho de modernidade e pós-modernidade que Cuiabá passará a exibir na Copa e Pós-Copa será um novo divisor de águas assim como a divisão de 1977 na história desta cidade, entretanto, parece-me importante também pensar a cidade por dentro e não apenas suas grandes vias. Mais claramente, e que me permitam os engenheiros de trânsito, principalmente. Como exemplo, peguemos a avenida do CPA, uma grande avenida, sem dúvida, mas anda-se normalmente nela? Não, por quê? Porque existe nela uma grande desembocadura de ruelas que a torna intransitável, sem mencionar o número excessivo de semáforos existentes. Portanto, falta planejamento indicativo integrado, e quem vai ajudar a consertar isso serão os sindicatos de taxistas, de motoristas de ônibus, pedestres, nós usuários diretos, dando sugestões e participando desse processo sistêmico, sem sermos reféns desse naturalismo político anárquico e impostor. Manga massadu neles. *ERNANI L. P. DE SOUZA, meio século, economista do NIEPE/UFMT, conselheiro do Corecon-MT, representante do Corecon na Fiemt e Ms. em Planejamento do Desenvolvimento pela Anpec/UFPA.