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ARTIGO
Sexta-feira, 23 de Agosto de 2013, 20h:21

LICIO ANTONIO MALHEIROS

Maior expectativa de vida

A expectativa de vida em nosso país, sempre foi objeto de estudo; principalmente, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística o (IBGE); que registrou no Brasil em 2010, a esperança de vida ao nascer, podendo chegar a 73 anos, 9 meses e 27 dias, isso comparado com 1980, quando o índice era de 62,52 anos. Esse aumento significativo na expectativa de vida foi importantíssimo, para a população, porém acabou gerando uma maior quantidade de avôs e avós, em função de sua maior longevidade. Esse fenômeno na condicionante de vida dos brasileiros acabou colocando-os na condição de pais e não de avós, em função do grande índice de gravidez na adolescência, havendo assim uma verdadeira inversão de valores. O tema em questão surgiu a partir do envio de um e-mail, pela assessoria de imprensa, do Deputado Estadual, Emanuel Pinheiro (PR), tendo em vista a preocupação do parlamentar, em abordar, este tema polêmico e de difícil resolução e compreensão, principalmente, em função da problemática que o mesmo aborda. Por outro lado, eu não poderia ser leviano e impositivo, ao abordar o tema, sem fazer referência ou alusão ao idealizador do mesmo; sei que muitos irão me chamar de fisiologista ou coisa que o valha, não me importo, pois conheço pouco o deputado em questão, só que, políticas públicas propositivas e alvissareiras têm que ser abordadas e respeitadas independentemente de quem às faça. Obviamente, temos muito a comemorar com o aumento significativo na longevidade da população brasileira, porém com algumas resalvas, principalmente na condição de vida desses idosos, que na maioria das vezes se aposentam com salários de fome, e mesmo assim, na condição de avós, acabam sustentando netos e bisnetos, em alguns casos. Isso acontece, por falta de políticas publicas que possam efetivamente evitar e, minimizar o grande número de gravidez na adolescência. Segundo estudos realizados através de pesquisas qualitativas e quantitavas, que se definem a partir da abordagem do problema formulado, visando à checagem das causas atribuídas a ele, a pesquisa feita, revela que os índices de gravidez na adolescência no Brasil, são bem parecidos aos dá Bolívia, Paraguai, Colômbia, uma triste realidade. Para demonstrar através de dados estatísticos este triste quadro; a cada vinte minutos uma menina de 14 anos se torna mãe no Brasil, dado este, extremamente preocupante, tendo em vista, que na maioria das vezes, o ato de criar e cuidar dessas crianças, acabam ficando por conta dos avós. Geralmente, estas adolescentes são de famílias desestruturadas e desequilibradas, tendo em sua grande maioria pais, envolvidos no mundo do crime, através do tráfico de drogas e estão presos ou mortos, pelo mesmo crime e, na maioria das vezes, acaba sobrando para os avós, que assumem essas crianças na condição de pai e mãe; isso se torna, extremamente impactante no orçamento desses aposentados, que em sua grande maioria percebem salários irrisórios. Só para que a população tome conhecimento, do que vem ocorrendo em nosso país, basta observarmos os dados estatísticos publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrando que, em 1991 cerca de 2,5 milhões de netos eram sustentados pelos avós, este valor subiu para 4,2 milhões. Esses dados, só reforçam a preocupação de todos, pois esses mesmos senhores avós aposentados, que deveriam estar hoje desfrutando de um final de vida digna, acabam na maioria das vezes cuidando e sustentando seus netos. Pare o mundo, quero descer. *LICIO ANTONIO MALHEIROS, geógrafo e pós-graduado em Didática do Ensino Superior [email protected]

Edição EDIÇÃO 16961




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