ARTIGO
Sexta-feira, 08 de Janeiro de 2010, 11h:08
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JOANICE DE DEUS
Mãe natureza em fúria
Presenciamos há um bom tempo como a natureza tem sido implacável com o homem, que não a respeita. Pessoas de todas as idades, ricas ou pobres, têm sido vítimas dos efeitos negativos provocados pelas mudanças climáticas em todos os cantos do planeta. Imprevisível, a mãe natureza vem dando uma demonstração de sua força: tsunamis, deslizamentos de terra, secas, temporais e inundações. Porém, não é de hoje que pesquisadores e cientistas estudam de que forma seremos atingidos pelas mudanças climáticas neste e nos próximos anos. A previsão, nada boa, vai do aquecimento global da temperatura, aumento das tempestades e da seca ao racionamento de água. No Brasil, as chuvas também vêm deixando seus estragos, destruindo o que encontra pela frente e deixando famílias órfãs em várias regiões, como é o caso da tragédia em Angra dos Reis (RJ), considerada uma das cidades mais belas do país. Em Mato Grosso, o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) prevê o aumento das precipitações para este bimestre. Mas a chuva já vem dando uma demonstração do que pode acontecer se investimento em infra-estrutura e a retirada de famílias que moram em áreas de risco não acontecer. No último dia 2 de janeiro, casas e ruas de bairro como o São Gonçalo, em Cuiabá, ficaram alugadas com uma forte chuva que atingiu a cidade. Um homem morreu quando tentava limpar a lama deixada pela enxurrada dentro de sua casa. E o que temos feito para mudar isso? Quase nada. Em dezembro do ano passado mesmo a cúpula da Organização das Nações Unidades (ONU) sobre mudança climática (COP 15), realizada em Copenhague, chegou a um acordo de mínimos, e ainda assim sem unanimidade, conforme foi divulgado pelos noticiários nacionais e internacionais. O que se esperava era que países ricos e em desenvolvimento fechassem um acordo que sucedesse o Protocolo de Kyoto, o único tratado que obriga 37 nações industrializadas a reduzir suas emissões de dióxido de carbono (CO2), que provoca o efeito estufa. Detalhe: o protocolo de Kyoto expira em 2012. Isso quando não contribuímos ainda mais para piorar a situação colocando fogo ou derrubando ilegalmente as matas ou florestas, jogando lixo e esgoto nos córregos e rios e ocupando áreas de preservação permanentes, entre tantos outros maus exemplos. O resultado, então, não pode ser outro. A mãe natureza fica zangada e nos seus acessos de fúria deixa rastro de destruição. JOANICE DE DEUS é repórter