ARTIGO
Terça-feira, 08 de Fevereiro de 2011, 20h:51
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GABRIEL NOVIS NEVES
Lá e aqui
Li o artigo semanal de J. R. Guzzo na Veja. O texto fala da crueldade de como se governa esta nação. Diz ele que em Brasília foi uma calamidade a distribuição de cargos essenciais no serviço público federal! Estes, segundo Guzzo, são disputados pelos partidos que elegeram a Presidenta lembrando muito a disputa por pontos de tráfico no Complexo do Alemão. Segundo Guzzo, não há a mais remota preocupação em saber se os nomeados têm ou não alguma capacidade profissional para exercer as funções que receberam. Há um consenso de que a existência dessas cotas de Brasília torna praticamente impossível o bom funcionamento de qualquer governo. Há igual consenso, ao mesmo tempo, de que no Brasil é assim. Cargos com impacto direto na vida dos cidadãos, e que por isso mesmo deveriam ser preenchidos por pessoas altamente qualificadas para se garantir um mínimo de eficácia nas suas ações -, são entregues de porteira fechada a esta ou aquela turminha. A equipe atual, montada com esses critérios, é, sem falta de dúvida, uma das mais cinzentas que um chefe, ou chefa, já conseguiu reunir em torno de si. Um terço dos ministros atuais é da cota do ex-presidente da República. O ministro da Previdência Social diz que não entende nada de previdência social. A ministra da Cultura diz que não entende nada de direitos autorais. A primeira realização da ministra da Pesca foi trocar a placa de seu carro oficial; onde estava escrito ministro agora já se pode ler ministra. Quando penso que esse é apenas o chamado primeiro escalão, e logo abaixo dele vem centenas de cargos onde se decidem as realidades do funcionamento de aeroportos, estradas, ambulatórios, escolas e tantas coisas mais! Mas isso acontece lá em Brasília, segundo J. R. Guzzo. Por aqui a situação é diferente. Aqui em Mato Grosso o preenchimento dos cargos públicos no governo da continuidade é de um rigor exemplar. Ao contrário de lá, aqui o governo escolheu por merecimento os seus auxiliares do primeiro, segundo, terceiro e quarto escalões, sempre priorizando a experiência, competência e ética. Dentro desses critérios, recrutou do legislativo federal e estadual - templos da lisura e da ética os mais hábeis executivos. Oportunizou com isso o ingresso nos legislativos lá e aqui dos companheiros suplentes, que poderão demonstrar a sua verdadeira vocação cuidar e zelar do bem estar do povo. Além disso, incentivou ao máximo os profissionais concursados e de carreira. Cortou gastos desnecessários e deixou a secretaria de propaganda do governo - em plena campanha para a Copa do Mundo - com um orçamento pouca coisa abaixo do orçamento da Secretaria de Saúde. Lá não é aqui, embora exista muita semelhança nos noticiários dos jornais. As manchetes são estarrecedoras! Catástrofes e mais catástrofes. Catástrofes implacáveis causadas pela natureza e as abusivas catástrofes morais. Um país que tem tudo para dar certo, mas, coitado! é constantemente devastado por surpreendentes tsunamis. Embora o tsunami seja previsível, ninguém leva a sério a sua iminente chegada. Já faz parte do calendário deste país contabilizar as mortes causadas pela falta de execução de obras preventivas que inibam a ação devastadora da natureza agredida. Assim como daquelas provocadas pela indiferença dos nossos governantes para com as causas sociais. Necessário, todavia, não perdermos a fé. Devemos acreditar - e sonhar - que em breve haverá transformações governamentais que nos tragam esperanças. Lá e aqui. *GABRIEL NOVIS NEVES é médico e ex-reitor da UFMT