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ARTIGO
Quarta-feira, 20 de Junho de 2007, 20h:10

PAULO RONAN

Junior Muniz e a Segunda Guerra

Junior Muniz está na cidade. Um perigo para a intolerância e a mediocridade. Aquele “ou não” que o personagem de Chico Anísio fazia ao final de uma contundente argumentação que seria uma caricatura maldosa do Caetano Veloso, no Junior seria deliciosamente uma homenagem. Ele não tem compromisso com nenhuma verdade. Falar a alguém que esteve com ele significa preparar para a provável pergunta “o que ele anda falando?”. Encontrá-lo é certeza de deparar com novas teses. O bom é acompanhar de perto suas mudanças de fases, isto mesmo, como a lua, ele tem fases. E como ela, não tem medíocres. Até a falta da Lua, que nos dá a noite escura, é bonita. Assim foi quando o Junior exilou-se quatro anos em Brasília. Tem especialistas em Junior Muniz. Já fui um deles, mas estou meio desatualizado. Isto mesmo, estas fases exigem acompanhamento e atualização. Consultá-lo-eis para saber de quantas fases compõe este período em Brasília. Falamos por telefone no final. Por duas vezes. Lembramos do pedido que lhe fiz quando da sua partida para o exílio de evitar o terno preto e de beber uísque em público. E nunca usar a tal gravata vermelha de advogado paulista. Parece que ele meio que seguiu o conselho. Também é assunto para os especialistas. Como disse, Junior está na cidade. Fiquei sabendo que está morando numa casa do tamanho de Rondonópolis, no Coxipó, e defendendo a tese da reclusão. O negócio agora é beber em casa, estaria defendendo, disse-me um especialista. Casa mesmo, apartamento e hotel, que um dia ele defendeu, não vale. O livro que ele anda lendo e divulgando tem o interessante nome Cultura e Elegância. Não vi, mas recomendo, não o livro, mas tentar vê-lo defendendo este casamento cultura e elegância, duas coisas que ele tem de sobra e achou alguém que sistematizou. É um show, tenho certeza. Isto me lembrou um comentário muito elegante sobre um dos meus artigos sobre a segunda guerra e postado na versão digital do glorioso Diário. Do professor Luiz Carlos Figueiredo que mostra outra face do conflito. Procurarei manter minha visão reproduzindo tal elegância. O professor faz um alerta sobre a ética da guerra que preferi não expor no meu artigo. As primeiras batalhas dos americanos foram um colosso em trapalhadas, não sendo diferente com os ingleses causando mortes desnecessárias e nem sendo diferente com o exército vermelho, que fez de soldados verdadeiras cercas vivas, prova disso foi ter perdido numa única batalha um milhão de homens, mais do que perdeu os EUA em todo conflito. O professor acha que o enunciado de que a Rússia ganhou a guerra é propaganda. Deve ser a propaganda, mas não foi ela que induziu-me a pensar quase assim. Não chego a afirmar isso, mas acho que o papel da Rússia foi de importância maior do que das outras duas potências aliadas, EUA e Inglaterra. Esta última ficou cuidando da África e não deu conta do recado. Sobrou para os EUA socorrê-la. Parece que um dos filhos de Roosevelt, presidente americano, serviu lá. Enquanto isso, Stalin segurava o grosso do exército alemão inclusive o temido VI Exército, que depois da campanha gloriosa na Bélgica e no extremo ocidente europeu, marchou de forma decisiva para Moscou esbarrando no Exército Vermelho. Quanto ao Pacto de Não Agressão de 39 a 41 entre Stalin e Hitler, de uma forma ou de outra todo mundo fez. A Inglaterra tinha um papel dúbio e sugeria um tratado de paz em separado. No Tratado de Munique entregou de bandeja a Thecoslovaquia. Ate neste tratado, em 1938 acho, Stalin queria a guerra. A turma se segurou, ele recuou e preparou-se respaldado no tratado. E por aí vai. * PAULO RONAN é economista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16962




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