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Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 25 de Agosto de 2012, 13h:49

MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA

Julier e o VLT

Como o assunto referente ao VLT tem gerado muitas polêmicas, inclusive entre instituições, a exemplo da que envolve os ministérios públicos Estadual e Federal, além dos poderes Executivo e Legislativo de Mato Grosso - e fato, inclusive, que considero positivo para o aprimoramento das ações e investimentos governamentais -, volto a debatê-lo nestas linhas de opinião. Com a modéstia de quem não se considera dono da verdade, até porque esta costuma ter muitos donos. Cada qual com a sua. Logo, creio, não posso fugir da raia... A propósito do tema, deste mesmo espaço, há dias toquei no assunto, lembrando que não procede o argumento daqueles que questionam a implantação do Veículo Leve sobre Trilho (VLT) considerando-o como uma espécie de “elefante branco”, por exigir investimentos elevados para atender a uma demanda de passageiros muito aquém da envergadura desse modal. Isto porque obras estruturantes, a exemplo do VLT, não podem ser analisadas no curto prazo, e sim de acordo com uma perspectiva histórica ampliada para várias décadas. E citei o exemplo da Estação Rodoviária de Cuiabá - ainda hoje uma construção que se destaca na paisagem cuiabana, tanto pelo seu tamanho como por suas linhas arquitetônicas modernas -, construída há mais de trinta anos, e que também foi criticada por se tratar de uma obra “faraônica” pelo simples fato de que o então governador Garcia Neto não a projetou para atender às necessidades da Cuiabá daquele tempo e do Mato Grosso então pouco desenvolvido. Seguindo o mesmo raciocínio, mais recentemente, ou seja, há cerca de 12 anos, se não me falha a memória, uma outra construção e dentro do mesmo setor viário e de mobilidade urbana em que se insere o VLT, também foi bastante criticada por se tratar, de acordo com o ponto de vista de quem discordava do investimento, de um “desperdício” de dinheiro público: a Ponte Sérgio Motta, edificada pelo então governador Dante de Oliveira. As vozes discordantes alegavam, então, que a ponte estava sendo levantada em um local distante da área central das duas cidades – Cuiabá e Várzea Grande. Hoje, passado pouco tempo, com o crescimento das áreas urbanas e a metropolização acelerada, constata-se que a ponte localiza-se em ponto estratégico, antes não-vislumbrado, e trata-se de obra importante para desafogar o trânsito entre as duas cidades e outras localidades. Dante enxergou isso! Partindo desse princípio é que hoje defendo a construção do VLT, cujas obras não podem ser paralisadas sob pena de se condenar a modernidade na Capital mato-grossense e, em seu lugar, estar se consumando o atraso representando por mais ônibus circulando. Poluindo o meio ambiente e envenenando o ar que respiramos, em detrimento de um modal ecologicamente correto. Se há irregularidades na licitação da obra, que se apure com rigor e punam-se eventuais culpados pelos desmandos. A legislação tem mecanismos legais suficientes para fazer esse saneamento ético e moral e cobrar a devolução aos cofres públicos do montante supostamente desviado. Assim como, para se trocar a água suja da bacia, não é preciso jogar fora o bebê, a continuidade das obras do VLT não deve e não pode ser suspensa. É exatamente nesse contexto que há de se louvar a decisão do juiz federal Julier Sebastião da Silva, proferida na semana passada, quando derrubou liminar que havia determinado a paralisação das obras do VLT e ordenado o cancelamento do contrato para execução desse tão importante benefício coletivo. Ao revogar a liminar anterior, o juiz deu uma canetada em defesa do progresso de Cuiabá e Várzea Grande! Mário Marques de Almeida é jornalista. www.paginaunica.com.br E-mail: mario @paginaunica.com.br

Edição EDIÇÃO 16963




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