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ARTIGO
Terça-feira, 08 de Dezembro de 2015, 20h:17

JUACY DA SILVA

Jubileu da misericórdia

Desde o início de seu pontificado o papa Francisco vem se empenhando para recolocar a Igreja em um contexto de espiritualidade e de temporalidade. Cada vez mais tem chamado a atenção de católicos e não católicos para a importância do diálogo entre as diferentes religiões como forma de resgatar antigas e novas formas de ecumenismo, condenando, com frequência, o uso da religião para práticas políticas violentas, principalmente para o terrorismo político que tem origem em formas distorcidas de religiosidade; em suas expressões, uma ofensa a Deus. Na dimensão da temporalidade tem procurado também resgatar a missão de fraternidade, de solidariedade que a Igreja tem em relação às pessoas que estão excluídas social, econômica, cultural e politicamente. Tem insistido que cabe à Igreja, vale dizer a todos os fiéis, em princípio católicos, mas por extensão aos fiéis de outras religiões, que a verdadeira fé deve ser materializada em ações concretas direcionadas a quem sofre, a quem é discriminado, a quem é violentado, a quem é injustiçado. Vale dizer, a igreja precisa deixar seus templos e suntuosidades e ir ao encontro dos pobres e necessitados. Na sexta-feira, dia 13 de março último, Francisco surpreendeu o mundo, principalmente o mundo católico, ao anunciar, em suas palavras: “Por isso decidi proclamar um Jubileu extraordinário que tenha no seu centro a misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia. Queremos vivê-lo à luz da palavra do Senhor: «Sede misericordiosos como o Pai» (cf. Lc 6, 36). E isto sobretudo para os confessores! Muita misericórdia! Este Ano Santo terá início na próxima solenidade da Imaculada Conceição e concluir-se-á em 20 de novembro de 2016, Domingo de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo e rosto vivo da misericórdia do Pai. Confio a organização deste Jubileu ao Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, para que o possa animar como uma nova etapa do caminho da Igreja na sua missão de levar o Evangelho da misericórdia a todas as pessoas”. Um mês depois, no dia 11 de abril o papa Francisco volta ao assunto através da Bula Papal, com 17 páginas onde estabelece as diretrizes de como será este ano Santo da Misericórdia, a ter início nesta terça-feira, 08 de dezembro, Dia da Imaculada Conceição e a ser encerrado do dia 20 de novembro de 2016, possibilitando que a Igreja Católica, desde Roma até os confins da terra, em todos os países, Arquidioceses, Dioceses, paróquias e comunidades possa estar voltada aos mesmos objetivos que é a reflexão e práticas guiadas pela divina misericórdia, tanto no plano espiritual quanto no temporal. O início deste Jubileu extraordinário tem dois eventos importantes, em Roma e ao mesmo tempo ao redor do mundo. O primeiro será representado pela abertura da Porta da Basílica de São Pedro nesta terça-feira, 08 de dezembro, quando se comemora o cinquentenário do encerramento do Concilio Vaticano II, que mudou radicalmente a vida e as práticas do catolicismo. Nas palavras do papa Francisco em sua Bula “A misericórdia será sempre maior do que qualquer pecado, e ninguém pode colocar um limite ao amor de Deus que perdoa. Na festa da Imaculada Conceição, terei a alegria de abrir a Porta Santa. Será então uma Porta da Misericórdia, onde qualquer pessoa que entre poderá experimentar o amor de Deus que consola, perdoa e dá esperança”. O segundo no próximo domingo, dia 13 de dezembro quando, segundo o papa Francisco, também abrir-se-á a Porta Santa na Catedral de Roma, a Basílica de São João de Latrão e as portas de todas as Igrejas Católicas espalhadas pelo mundo afora. Durante este Ano Santo da Misericórdia a Igreja Católica, sua hierarquia e também os fiéis são instados, orientados, motivados a realizarem ações concretas como demonstração do amor ao próximo. Jubileu em sua origem significava comemorações especiais em regozijo pela libertação da escravidão, de dívidas, do jugo da opressão e no plano espiritual pelo arrependimento dos pecados e o recebimento do perdão pela misericórdia de Deus. Com certeza, em um mundo marcado por tanta violência, injustiça, egoísmo, materialismo, consumismo, imediatismo, fome, miséria, exclusão social e econômica, degradação ambiental e indiferença, proclamar um jubileu extraordinário tendo como tema central a misericórdia, será um momento para as pessoas renovarem suas esperanças de que podemos construir um mundo melhor, mais justo, mais fraterno e mais humano. * JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista, colaborador de jornais, sites e blogs. [email protected]/www.professorjacy.blogspot.com

Edição EDIÇÃO 16968




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