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ARTIGO
Terça-feira, 28 de Julho de 2009, 20h:33

LORENZO FALCÃO

Jornada da Alma

Alguns filmes que assistimos, de repente, numa única cena, se justificam e já valem o ingresso pago ou o tempo que gasta as retinas na frente da televisão. E lá vou eu de novo falar de minha TV paga e tem gente que até pensa que faço propaganda desta ou daquela outra empresa por assinatura. Vai ver que estou recebendo por fora do senhor Murdoch, o ou um dos todo-poderosos homens da mídia mundial. Mas vou me explicar melhor: não se trata de fazer propaganda de uma empresa que oferece produtos que oscilam como a qualidade do cinema mundial. Trata-se de abominar, mais uma vez, a ruindade do que as emissoras de televisão abertas oferecem à população. Um show de mediocridade, de mau gosto, de más intenções, de mau caratismo e de interesses particulares escancarados. E dizem que as emissoras são concessões públicas... Quá!!! E dizem também que as emissoras passam o que o povo gosta, o que o povo assiste, e que não podem experimentar novas estéticas ou propostas mais arrojadas de telecomunicação. Muita abobrinha (recheada com mais abobrinha) pro meu gosto. Tudo bem, que há exceções. Alguns programas até trazem algum tipo de contribuição para a sociedade. Alguns são educativos e outros provocam o pensamento e a discussão em torno de temas emergentes. Mas é só uma minoria. Muito pouco. E o que fica é uma situação desalentadora para qualquer um que vê a banda passar pela televisão. Pela televisão aberta, que fique bem claro. Bom, devo reconhecer que a oferta de uma TV por assinatura é superior, também por conta de uma maior quantidade de canais que elas costumam ter. E agora, depois de toda essa conversação, devo retomar ao início desta conversa, quando falei de alguns filmes. “Jornada da Alma”, sem dúvida um título interessante, um belo nome de filme. Um daqueles que a gente não vai achar dando sopa nas TVs abertas. Um filme que investiga a vida amorosa de Carl Jung, que foi discípulo de Sigmund Freud, e que se envolveu (Jung) com uma paciente, Sabina Spielrein, que depois veio a se tornar uma das primeiras, se não a primeira, mulher psicanalista do mundo. Um assunto ironicamente irrelevante, naturalmente, para milhões de brasileiros medíocres. Mas eles, esses brasileiros desassistidos culturalmente, talvez, tivessem gostado pelo menos da cena em que uma professora de creche, a Sabina Spielrein, consegue quebrar o gelo de um garotinho ensimesmado ao apresentar-lhe um macaquinho que dava cambalhotas e tocava piano. LORENZO FALCÃO é editor do Ilustrado do Diário

Edição EDIÇÃO 16961




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