ARTIGO
Sábado, 07 de Março de 2009, 12h:09
A
A
MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA
Jogo Sujo contra MT
Potencializando os casos de violência que acontecem em Cuiabá e no interior de Mato Grosso, o governo de MS, secundado pela prefeitura de Campo Grande e com apoio ostensivo da Imprensa de lá ou de grupos de comunicação social que têm seus maiores interesses empresariais centralizados naquele estado, move uma verdadeira campanha, que beira à difamação, para tentar descredenciar MT e sua Capital com vistas a sediar a Copa do Mundo de 2014. O objetivo desse jogo bruto, que não respeita limites éticos, é fazer com que Campo Grande seja a escolhida para ser uma das sub-sedes dos jogos, alijando, obviamente, a Capital mato-grossense. Na visão dos que o patrocinam, para vencer a disputa e levar a Copa, não basta apenas competência técnica e habilidade em campo, mas é preciso chutar, dura e covardemente os adversários (no caso, obviamente, Cuiabá e MT). Se não fosse a sujeira dessa apelação, seria compreensível - e até legítimo - que Mato Grosso do Sul, para vencer a partida, conjugasse esforços para "vender" seu potencial turístico, econômico e social, sem, entretanto, fazer as faltas que comete contra a imagem de Cuiabá e Mato Grosso. Sem precisar apelar, montando estratégias, investindo recursos, inclusive na contratação de profissionais na arte de enlamear os outros, para tentar vender o fenômeno da criminalidade e da violência como se este fosse restrito a Cuiabá e Mato Grosso, quando, na verdade, é um problema realmente grave, porém de dimensão nacional e de cuja realidade, nem Campo Grande e MS constituem uma espécie de "ilha" à parte. Não são, é claro, um paraíso onde a bandidagem não atua ou está sob controle das autoridades policiais. Nesse aspecto, sem querer jogar com as mesmas armas de detratação que o esquema montado em Campo Grande move contra Cuiabá, cabe ressaltar que a fronteira com o Paraguai, localizada a cerca de 200 km da Capital sul-mato-grossense, é uma das regiões mais violentas do país, com muitas cidades dominadas pelo narcotráfico e onde, não raramente, ocorrem chacinas com elevado número de vítimas. Isto sem falar na violência que permeia o antigo, e até agora não resolvido, conflito entre fazendeiros e índios, em luta aberta - e armada - em função da demarcação das terras indígenas. Esse conflito pela terra, é oportuno lembrar, ocasiona mortes de ambos os lados. A própria Campo Grande é assolada, constantemente, por crimes bárbaros como assaltos a mão armada, arrombamentos e invasões de residências e comércios. Assaltos a bancos, como o ocorrido recentemente em Alto Taquari (e que ganham repercussão nacional na TV Globo e outras redes), costumam ser praticados por marginais que agem também naquele estado, quando não se escondem por aquelas bandas. Apenas esse fato não é ressaltado com a mesma evidência, pois que forças nem tão ocultas tratam de não repassar esse tipo de noticiário para o eixo Rio-S.Paulo, e daí ganhando dimensão nacional, quiçá internacional. MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA é diretor do site e jornal Página Única