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ARTIGO
Segunda-feira, 21 de Maio de 2012, 20h:17

ANTÔNIO PADILHA DE CARVALHO

João Marinho, obreiro da luz

Não falo só por mim, falo por todos aqueles que tiveram a grata oportunidade de conhecer e conviver com João Marinho. Cuiabano da mais alta qualidade, gente boa, amigo solidário, companheiro para todas as horas. A amizade, quando leal, tem a virtude das mãos do Cristo Jesus: ressuscita e faz viver em torno de nós aqueles que tanto amamos. Os grandes espíritos são como as correntes atmosféricas, que deixam no ambiente, nas modificações de temperatura, os sinais da sua passagem. Com Marinho aprendemos que só é eterno o que é simples. Diante dele tudo era possível, tudo era positivo, tudo era levado de uma maneira a ser resolvido pacificamente. João Marinho possuía um dom de amenizar as mais difíceis e mirabolantes controvérsias, estando sempre a nos falar nos ouvidos esquerdos com palavras doces e suaves. Conseguia propor-se como aprendiz, quando na verdade sempre foi um perfeito mestre. Homem de caráter de aço, enrijado no fogo das grandes lutas do dia-a-dia, filho de um berço humilde que soube valorizar a cultura da sua terra, cantando-a por todos os cantos por onde passava. Marinho a todo tempo tinha na ponta da língua uma história ou estória para brindar os nossos sentidos, vez que viajávamos nas suas palavras de barítono sempre sorridente. Temos consciência de que somos mais do que um punhado de memórias. É natural essa saudade que sentimos, todavia esse sentimento não pode e nem deve ser convertido em negatividade e inanição espiritual diante da vida que exige o nosso caminhar. Em sua memória, todos nós, haveremos de converter a saudade em esperança de dias melhores, estudando, aprendendo e colocando em prática, com base nos exemplos dignificantes por ele deixados, as tarefas do serviço do bem. A vida é limite de tempo que deixa resíduos de tudo que somos. Após os trabalhos empreendidos com carinho e maestria, eis que lá estava João Marinho a brindar-nos com as suas falas sobre a cuiabania de outrora. Desde a nomenclatura do jogo de bolitas, finca-finca, bilboquê, corcoveia, até às letras do nosso Cururu, Siriri e Rasqueado, tudo passava pelo seu crivo de admirador e fomentador das riquezas dos costumes e instruções do nosso povo. No chão de sua terra, Marinho fazia a festa. Marinho faz parte do chão cuiabano, Mas o seu espírito é diferente, vive eternamente e a sua consciência, seu princípio inteligente, que ao contrário da carne, transcende a morte. Essa embalagem que continha a sua alma não tem passagem para o além, ficou no campo santo do centro histórico de Cuiabá, mas seu espírito tem passaporte, continua, não é destruído pela morte, é milenar, e certamente quando alguém lá nas esferas superiores indagar: - Quem vem lá? Nosso João Marinho saberá responder: - É um homem livre e de bons costumes! Nós, todos os seus irmãos, por tudo o que você demonstrou ser, bradamos: Vai, João Marinho! Ser Obreiro da Luz... *ANTÔNIO PADILHA DE CARVALHO é advogado militante, geógrafo, professor universitário aposentado, mestre em Direito público e pós-graduado em Filosofia e Educação.

Edição EDIÇÃO 16963




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