Se a vida imita a arte, a política tenta imitar o futebol. Muitos políticos deste nosso Brasil iniciaram suas carreiras dando tapinhas nas costas de torcedores em campos de pelada país afora. Alguns conseguiram ser conhecidos via clubes futebolísticos onde fizeram e fazem sua carreira de legisladores. Não dá para dizer que os nossos corneteiros ou seriam dirigentes esportivos? Não façam política à flor da pele. Afinal, sou adepto do ditado que diz que não existe o apolítico, política se faz em casa, na cama, na rua, na calçada, no trabalho. Enfim, vivemos e respiramos a política. Para qualquer lado que viremos temos de fazer desta prática uma rotina de sobrevivência. Mas, não quero aqui filosofar o que é política, mas sim contrapor uma posição que me deixa incrédulo. Será que imitar o que se faz no esporte na política é legal? A questão é simples: a famosa janela de transferência no futebol existe já faz tempo. Como profissional todo e qualquer jogador pode se utilizar desta janela para se transferir de um clube para outro, visando sempre um melhor salário. Mas daí imitar esta questão na política é de doer. E, infelizmente, o nosso Congresso abriu esta brecha. Como acontece na janela de transferência dos jogadores brasileiros para a Europa teremos em nossa política a janela de 30 dias para as mudanças de partidos, ou porque não dizer a Janela da Infidelidade. Ao contrário do futebol, onde o clube compra e vende os passes dos jogadores, no cenário político o cidadão que chega a um cargo legislativo só o consegue graças ao voto e, mais do que isso, a agremiação política que lhe deu o espaço e recursos para disputar o voto. Portanto, ao contrário do futebol, o político, que no caso se transforma em vira casaca outra expressão futebolística dada ao torcedor que hoje diz torcer para um clube e amanhã para outro -, deveria não sair pulando de galho em galho, mas sim ficar fiel ao partido que o ajudou a se eleger. Ah, você diria: então partido neste caso é como clube de futebol tem de torcer só para um?. Diria que sim, não dá para hoje ser corintiano, amanhã, palmeirense, depois de amanhã flamenguista. Ou seria legal dizer que fulano foi do PMDB, passou pelo PT, migrou para o DEM e agora quer ir para o PSDB. E sua tendência política, esquerda, direita, centro, onde fica? A janela da infidelidade está provocando na sopa de letrinhas que temos no Brasil uma correria de acomodação, ou não, de infidelidade partidária. Em Mato Grosso, muita gente, de governador a militante já planejam as mudanças sempre pensando em mais espaço. O eleitor, bem, dizem que este vota na pessoa e não no partido. Sendo assim, o melhor, então, seria acabar com os partidos. Ainda bem que no futebol a fidelidade ao clube é sagrada. JONAS JOZINO é editor do Esportes do Diário de Cuiabá
[email protected]