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Cuiabá MT, Sábado, 20 de Junho de 2026

ARTIGO
Segunda-feira, 29 de Março de 2010, 22h:01

AIRTON REIS

Isabella acolá, Kayto Cuiabá

Dois anjos alados de uma cidadania sem o verbo florescer. Duas vidas ceifadas em pleno alvorecer. Dois crimes e uma mesma comoção popular. Dois anos de saudade expressa pelo verbo amar. Dois lares abatidos pela violência descomunal. Duas cidades num mesmo país constitucional. Duas crianças abatidas pelo mesmo instinto animal. Duas tramas transcritas de processo em processo legal. Três indiciados em Tribunal. Três culpados em evidência comportamental. Três sujeitos julgados. Três veredictos em sentença deveras certeira. Três versões atualizadas da sociedade brasileira. Três condenados em primeira instância. Três laudos e uma mesma concordância. Três adultos e uma mesma infância subtraída em direitos. Três brutos e duas vítimas fatais. Três cidadãos e uma sociedade alarmada em reação. Três apenados e uma pátria despetalada em civilização. Três algozes e uma mesma prisão. Três assassinos e um mesmo Código de Processo Penal em vigor. Três monstros e duas vítimas pelo desamor. Mais de quatro famílias diretamente atingidas. Mais de cinco dedos apontados pela Justiça em tempo real. Mais de seis dias por semana. Mais de sete jurados de olhos abertos diante da barbaridade urbana. Mais de oito horas por dia. Mais de nove meses de uma pátria republicana embrionária. Mais de dez ordenamentos jurídicos infringidos em totalidade. Mais de onze discípulos da Verdade. Mais de doze apóstolos da Humanidade. Mais de treze Aves Maria em rosário social. Mais de quatorze Pai Nosso para nos livrar do mal. Mais de quinze Salves Rainha pelos degredados filhos de Eva. Mais de dezesseis desalmados envolvidos pela mesma treva. Mais de dezessete décadas de escuridão. Mais de dezoito anos de isolamento na cela de prisão. Mais de dezenove capítulos de uma novela além da ficção. Mais de vinte séculos do Antigo Testamento. Mais de vinte e uma estrelas num mesmo firmamento iluminado. Isabella acolá, Kayto em Cuiabá. Isabella no portal da eternidade. Kayto no jardim da infância interrompida pela crueldade. Isabella sorridente entre muitas nuvens passageiras. Kayto envolto em mais de uma bandeira tremulante em poesia vocacional. Isabella no pleno direito de sua cidadania celestial. Kayto na memória de cada habitante desta Capital. Isabella em mais de uma página virtual. Kayto em mais de um memorial. Isabella em reticência existencial. Kayto em viagem sideral. Isabella nos braços do Pai e Criador. Kayto no compasso ampliado do amor. Isabella no esquadro da Justiça pela perfeição. Kayto no nível elevado da sociedade em construção. Isabella no prumo apurado da lógica pela razão. Kayto entre as colunas da força e da beleza. Isabella no Oriente da sabedoria de Salomão. Kayto no Ocidente de uma Pátria entrelaçada por um mundo irmão. Assim seja! * AIRTON REIS é poeta em Cuiabá-MT. [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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