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ARTIGO
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009, 23h:57

ENOCK CAVALCANTI

Internet gratuita na capital

Meus amigos, meus inimigos: velho e encarquilhado, apegado a alguns dogmas pessoais imutáveis, como acontece com todas as pessoas, sou daqueles jornalistas que entendem que, no jornalismo, a prioridade deva ser dada para tudo aquilo que não funciona corretamente. E acho que muitos pensam como eu, já que vejo as manchetes, na maioria dos jornais, gritando sobre estupros, corrupções, concursos anulados, operações da Policia Federal, exterminadores de florestas, caos na Saúde Pública, cassações de mandato, bandalheiras de toda sorte. Millôr Fernandes, mestre do jornalismo brasileiro, escreveu: "Jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados". Claro que jornalismo é muito mais do que isso, é uma arte com muitas e muitas facetas. Jornais e jornalistas, todavia, entende aqui o filho de dona Zuzu, têm que zelar pelo interesse público, alertando sempre para o descaso, a incúria, a falta de compromisso social. O que não quer dizer que eu não possa, quando vou ao barbeiro, me sentar anonimamente diante daquele grande espelho e ficar curtindo as fotos maravilhosas da revista Caras, aquelas mulheres sempre bem vestidas ou maravilhosamente despidas, aqueles palacetes, aqueles iates suntuosos, aquelas festas feéricas. Acho que é bom que nossas bancas de jornais possam exibir, hoje em dia, a revista Caros Amigos ao lado da revista Playboy, acirrando contradições nas cabeças das pessoas. E lá estão também as revistas pornográficas, acessíveis a quem achar que precisa delas para alimentar a sua concupiscência. Meu entusiasmo maior, todavia, acontece diante das possibilidades de informação que se abrem na internet, com tantos sites, tantos blogues, tantas emissoras de televisão digital, tanta música, tantos cursos on line, tanta informação circulando, nas mais diversas línguas. A internet veio para acabar com nossa fome de informação – para isso, todavia, é necessário que o nosso povo tenha o computador e o acesso garantido à grande via. Por isso avalio como muito meritória a iniciativa recente, adotada pela Prefeitura de Cuiabá, de garantir acessibilidade gratuita de nossa população da capital a este que é o maior canal de comunicação existente hoje no mundo. De acordo com o projeto desenvolvido pela administração do prefeito Wilson Santos, os cuiabanos poderão acessar a internet em tempo real para fazer pesquisa, enviar e-mails e, claro, buscar todo tipo de informação na web. O projeto promete interligar pontos de rede wimax nos bairros Osmar Cabral, Parque Cuiabá, Residencial Coxipó, Tijucal, CPA I (para atender CPA I e II), CPA III (atende CPA III e IV), Primeiro de Março, Verdão, Porto, Jardim Araçá, Novo Colorado, Dom Aquino, Areão, Pedregal e Planalto. Ainda não conferi, mas a informação é de que, no bairro Pedra 90 e no entorno da Praça do Choppão o projeto já virou realidade e as pessoas já podem navegar livremente, internet a dentro. A expectativa é de que até março de 2010 a tecnologia seja disponibilizada para toda a população residente nos mais diversos bairros da cidade. Um dos responsáveis técnicos do projeto, falando à repórter Uiara Ribeiro, explicou que, para utilizar o sistema, o cidadão terá apenas que adquirir uma antena USB 2510 que custa aproximadamente R$ 100 reais. E o uso da antena só será necessário caso o usuário esteja em uma zona distante de transmissão do sinal. Não vi, ainda, este projeto ganhar o necessário destaque mas ele me parece uma daquelas iniciativas preciosas, libertadoras. Uma iniciativa de Wilson Santos que, espero, inspire também os demais prefeitos, o Governo do Estado, todas as nossas autoridades públicas. Aquela política dos telecentros está superada, o povo pode ter mais. Através de um esquema de antenas, desenvolvido em parceria com as operadoras de telefonia e mesmo com a Cemat, a internet pode entrar em todas as casas e libertar as potencialidades mais inesperadas de nosso povo, por todos os lados. Sim, agora todos poderão se comunicar com todos e o monopólio da informação vai sendo colocado por terra. Torço para que, no meio do caminho de implantação deste projeto, não surja uma pedra. * ENOCK CAVALCANTI, jornalista em Cuiabá, é titular do blog www.paginadoe.com.br

Edição EDIÇÃO 16969




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