Será que alguém já percebeu quantas pessoas vivem reclamando da vida, apontando defeitos e culpando somente os outros sobre os pecados do mundo? Até aí, acho natural e humano, pois eu também reclamo de todos os tijolos que jogam no meu dedão do pé esquerdo, como impostos e injustiças. Porém, não dá para engolir esse monte de instituições que existem apenas para jantares, festas, discursos, fuga dos lares enferrujados, esquema de empregos para familiares, tudo em nome de todo mundo, sem que esse todo mundo saiba disso... Por aí. São as instituições beneficentes e/ou filantrópicas. É um parangolé para pertencer a várias delas, indo de pesquisas, xé-nhé-nhém, conta bancária, este item nunca falha, onde apenas alguns, os mais espertos, levam os louros das benesses. E se esquecem de Mato Grosso em fervura. E dos próprios outros membros. Explico melhor. Tenho recebido e-mails reclamando de tudo. Da presidente Dilma ao gari de Capela do Piçarrão, ali perto do Rio Cuiabá são alvos das reclamações do mundo bizarro que assola MT e o Brasil. Sem apontarem uma só solução pelo menos. O pior é que há instituições que promovem, além dessa pesquisa cadastral interessante a candidatos a membros, um festival de trotes iniciáticos que a Internet já possui um carnaval de críticas. Lembrem-se da campanha mundial contra os trotes medievais aos calouros em nossas faculdades tupiniquins. Ou dessa ilegalidade comprovada que a PM do Brasil se comporta para receber um jovem em seus quadros em que tais procedimentos, além de desumanos, levam, de quando em vez, jovens de futuro e de esperanças à morte. O mundo civilizado já exterminou tais grotescas metodologias, todavia, no Brasil, várias são as instituições onde vemos, até senhores de idade e de cultura babando e espumando pelo prazer doentio, sadomasoquista, em presenciar o pavor estampado nos que se aventuram a participar de trotes nessas instituições que, embora históricas pelas conquistas sociais no passado, refletem, no presente, o retorno às cavernas. O pior é que nada acrescentam na busca de soluções para o nosso futuro. O cidadão tem a necessidade de paz celestial ou de conversar com Deus. O que faz? Vai à igreja, mesmo sabendo que em qualquer local poderá exercer tal sublime desejo, por causa da liturgia de sua pretensão e o esoterismo que envolve os locais das igrejas. Embora, sempre leve susto por causa dos oradores, padres ou pastores, que a cada dia se distanciam das religiões e de Deus para reclamarem contra ricos e alfabetizados, para enaltecerem os mendigos, maltrapilhos, analfabetos, incultos, ladrões, assassinos, sob a égide das doloridas meias verdades, comparando-os a Cristo, numa injusta paródia constrangedora aos fiéis espantados de hoje. O cidadão, decepcionado e cansado de tantas pregações inversas dessas igrejas, resolve pertencer a outras instituições. Porém, muitas delas só praticam o ensino religioso também. Saímos da frigideira e caímos no fogo. Disputas religiosas internas e nada cívico, nenhuma conquista, só falatórios, nenhuma solução para Mato-Grosso, além das reclamações apenas. Alguns governantes também reclamam sobre tais grupos que se formam nessas instituições, sem o aval de todos, secretamente, para pedirem empregos de secretários de Estado para cima, em nome dos bobos da corte que apenas servem de aparato massas de manobras internas para os mais sabidos. Solução: Exigir soluções e fazer o que Dilma fez. Nos serviços públicos, não promover missas ou cultos e nem usar símbolos afro-romano-judaico-muçulmanos. Apenas trabalhar. E impedir que as religiões se intrometam na política. E as entidades filantrópicas só façam filantropia ao invés de indicarem apenas alguns de seus membros para cargos e cargões nos governos, sem serem políticos. * PAULO ZAVIASKY é jornalista
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