ARTIGO
Quinta-feira, 05 de Junho de 2008, 21h:20
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LORENZO FALCÃO
Hasta la vista, Boca!
Uma noite de quarta-feira daquelas. Emoção à flor da pele, mas que terminou tudo bem. Meu otimismo foi correspondido e o Fluminense quebrou o tabu despachando o mitológico Boca Juniors, num Maracanã com mais de 80 mil pessoas, incluindo o Chico Buarque. E eu largadão no sofá, em casa. Deitava, sentava, ficava em pé. Mesmo sozinho, tentava disfarçar o nervosismo. Ainda bem que não sou de roer as unhas. Falei do otimismo, hora de lembrar uma historinha. Um pai tinha dois filhos: um pessimista e um otimista. Num certo natal, deu de presente ao filho pessimista uma bicicleta, e ao pessimista, um pacote de esterco eqüino, vulgo bosta de cavalo mesmo. A mãe pergunta ao pessimista o que ele ganhou e o que havia achado do presente. E ele: Ah, ganhei uma bicicleta, mas tenho certeza de que logo levarei um tombo, ela vai quebrar, vou me machucar e isso se não a roubarem antes. A mãe repete a pergunta ao filho otimista, e ele: Eu ganhei um cavalo, a senhora viu ele por aí?. Eu faço a linha do filho otimista e também a do interessante personagem de Voltaire, da obra Cândido, o otimista, em torno da qual, o título diz tudo. Por isso mesmo, acreditava piamente que o Fluminense venceria o Boca Juniors. Só não esperava que fosse assim tão sofrido. Desde criancinha torço pro Fluminense. Pra falar a verdade, sou fluminense de nascença, já que quem nasce em Niterói, que nem eu, assim é chamado. Serve papa-goiaba também, mas aí surgiria uma espécie de salada de frutas na minha família, já que minha mãe é papa-banana. E sou do tempo em que filho torcia pro mesmo time que o pai. O que não é mais tão freqüente hoje em dia. Meu filho, por exemplo, torce pelo Flamengo. Problema dele, seu time não está na final da Libertadores. Mas, voltando à semifinal de anteontem, que pedreira danada essa que o Fluminense enfrentou. E resistiu. Bom, aqui na redação do DC, quase todos que curtem futebol, me diziam da tradição do Boca em vencer times brasileiros na Libertadores, coisa de mais de 40 anos. E eu apenas argumentava que chega uma hora em que o raio para de cair no mesmo lugar. E já estava passando da hora de isso acontecer. Mas, vamos falar a verdade: Esportivamente falando, tem coisa melhor do que vencer a Argentina? Sim...? Não...? Ah, tem! Tem sim: vencer a LDU, do Equador, sagrar-se campeão da Libertadores, depois viajar pro Japão e conquistar o título de melhor time do mundo. Continuo otimista e já me preparo para um novo confronto contra o Boca, ano que vem, pela Libertadores. LORENZO FALCÃO é editor do Ilustrado do Diário