A edição especial Negócios & sustentabilidade, da revista Exame, que está nas bancas trás como manchete de capa a seguinte frase: A economia verde. Toda a edição está em cima dessa nova vertente da economia mundial. Curiosamente, a primeira reportagem é sobre Lucas do Rio Verde, na região médio norte de Mato Grosso, sob o título: Crescimento chinês e ambientalismo nórdico. A edição inteira de Exame trata da nova visão mundial da economia que alia a sustentabilidade em cima dos princípios econômicos, sociais e ambientais. O olho de chamada da matéria, na página 35 é: Responsável pela produção de 1% da soja brasileira, Lucas do Rio verde, em Mato Grosso, cresce 10% ao ano. Agora, quer se tornar a primeira cidade brasileira sem dívidas sócio-ambientais. Tomo a liberdade de transcrever um parágrafo: Em 2005 a Sadia procurava um lugar para erguer aquela que seria a sua maior fábrica de alimentos no país. Para receber um investimento de 800 milhões de reais, a cidade escolhida deveria ter algumas características básicas. Além de ser um centro produtor de soja e de milho, o município precisaria estar localizado perto de uma rodovia, ter água e energia elétrica em abundância, não produzir grãos em área de floresta e contar com um bom nível de segurança municipal. Depois de analisar algumas opções, a Sadia tomou sua decisão: Lucas do Rio Verde, cidade situada a 350 quilômetros ao norte de Cuiabá, às margens da rodovia BR-163, numa região de transição entre o cerrado e a Amazônia. Daí para frente a reportagem trata da questão econômica e pára demoradamente na questão ambiental, através do projeto Lucas Legal, construído pela ONG The Nature Conservance, pela Sadia, pela Syngenta, e pela Fiagril, uma empresa local. O projeto envolveu passado, presente e futuro, começando com a recomposição de florestas derrubadas no passado e com toda uma série de compensações de forma que o município seja uma referência mundial em produção econômica sustentada. Agora vamos ao Nortão de Mato Grosso, que hoje sofre retaliações federais. O ambiente é o mesmo. Para produzir, no início da ocupação, os recursos naturais foram explorados e agora, em vez de um mínimo de parceria para construir um futuro sustentável, o governo entra com a repressão policial. Ontem, em Sinop e em Alta Floresta, a Polícia Federal reafirmou sua disposição punitiva. Isso significa pancadaria, tiros e intimidação contra pessoas estabelecidas. Tal e qual, os colonos sulistas que chegaram a Lucas no começo da década de 80, desmataram áreas e cabeceiras de nascentes, etc. O início da produção de soja e de milho veio em cima de pecados ambientais que só agora serão corrigidos e se vê o futuro anunciado. A fórmula para Mato Grosso está aí. O Ibama arrecadou durante mais de 30 anos taxa de reflorestamento sobre cada metro de madeira extraída, mas os recursos foram desviados. A revista Exame traz uma imensa contribuição para Mato Grosso, ao mostrar que é possível conciliar a economia com a sustentabilidade social e ambiental. Bastam projetos e disposição. Não precisa de Polícia Federal e nem do corroído Ibama. Tampouco de politicagens populistas. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste
[email protected]