Alguém já imaginou se Deus contratasse um engenheiro de trânsito cuiabano para criar o mundo? Caos absoluto e o mundo seria quadrado. O que incomoda o planeta Cuiabá é essa obrigação tácita onde todo militar aposentado tem que exercer outros cargos e funções públicas civis. Isso mesmo. O governador Blairo Maggi não se cansa de espernear junto com o prefeito Wilson Santos sobre essa tácita obrigação de empregar todos os militares que se aposentam. Deixando de lado as vicissitudes, as doenças e as excepcionalidades desta vida, neste mundo em que vivemos, são raros os policiais aposentados que ficam balançando, tipo cuiabanos, nas redes debaixo das sombras das mangueiras, tipo baianos, praticando cuspe à distância nas formigas e besouros no chão dos quintais várzea-grandenses. Todos empregados nos governos de todos os partidos em postos civis. É claro que ninguém da área civil teve a coragem-topete de nomear algum advogado, por exemplo, para ser comandante de uma guarnição militar ou um médico civil para ser o chefe de posto militar nas guerras de milhares de mortos em nome de Deus, da Pátria, da paz e do futuro... Agora só falta um dia algum político nomear algum militar para a chefia da casa civil, do paisano. Ninguém nomeia José Sarney como Papa. Até eu fui impedido de operar um amigo na Santa Casa de Misericórdia a ponto de os médicos me colocarem para fora do Centro Cirúrgico, impedindo-me da realização daquela nevrálgica micro neurocirurgia só porque não sou neurocirurgião, nem médico. Agora, essa lista distribuída anonimamente nas redações sobre todos os militares que ocupam cargos dos civis e que são todos eles, militares, aposentados, não representa novidade alguma. Nessa revolta anônima corajosa apenas uma verdade: jamais homem algum teve a suprema coragem nem, jamais, a terá de nomear um civil para a Casa Militar de qualquer governo do mundo. Com exceção do Barack Obama. Isso foi implantado aqui há tempos. Primeiro, aconteceu algo em Cuiabá que assustou o povo daqui. Eu adorava olhar aquele batalhão da PM que cabia inteirinho na fila-metade da rua do quartel que era bem mais estreita. Hoje estufou. A rua inteira e mais as calçadas ainda apertam a fileira do batalhão. O policial cuiabano só tinha um modelo de farda e todos da mesma altura. A média era um metro e sessenta, cinqüenta quilos, cor parda, viva esverdeada. Sem barriga que a maioria nem sabia o que era. Quando havia um assassinato com tiro na barriga, nossos Homens do Mato procuravam a bala na bunda dos mortos. Com o advento, a partir de 1975 em que batalhões de policiais cariocas e mineiros foram transferidos para cá, nossa polícia engordou demais. Não vemos um atleta policial. Chamam os atuais Jô Soares de farda de fortes quando, na verdade são gordos, altos e futuros aposentados para o cargo de Chefe da Casa Civil de qualquer governo. Meus companheiros de farra e meus parentes militares ficam zangados quando se fala nisso e rufam o urro nos cangotes da gente. Porém, quando monto as fotos deles todos juntos, é só risada. Isso é apenas um desabafo pequeno para certas inversões de valores que montam neste pega-prá-capá cuiabano sub sede de copa de futebol-2014 e agora, também das Olimpíadas de 2016. Militares em funções civis, filósofos da Nasa nos lugares de médicos, aposentados trabalhando, empregados em greve de vagabundagens, terroristas nos governos, sacerdotes tarados e pedófilos, ladrões como donos de religiões milionárias, assassinos denominados reeducandos, doentes são portadores de necessidades especiais e velhos são experientes da melhor idade, governos nada fazem e ONGs recebem verbas oficiais, rico é ladrão e pobre tem até bolsa-família, dono de terras é bandido e invasores são conquistadores gladiadores de Roma, justiça manda policiais prenderem e ela mesma solta, políticos... Agora pergunto: vale a pena ser normal e enfrentar fila de banco? * PAULO ZAVIASKY tenta vaga de anormal
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