ARTIGO
Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009, 00h:25
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ENOCK CAVALCANTI
Gerson Barbosa, promotor de Justiça
Meus amigos, meus inimigos: muita, muita responsabilidade pesa sobre os ombros do promotor de Justiça Gerson Barbosa. Há anos que é titular da 17ª Promotoria de Justiça de Defesa Ambiental, da Ordem Urbanística e do Patrimônio Cultural de Cuiabá. Só pelo título já dá pra imaginar as responsabilidades que tem este cidadão que é um homem gordo, de voz anasalada e que, no meu entendimento, não soube construir, até agora, uma boa articulação com a sociedade pela qual tem que trabalhar. Gerson Barbosa não é um daqueles promotores que incentive as lutas e a organização das associações comunitárias, para construir, em meio ao povo, bases de sustentação mais sólidas para seu trabalho. O resultado, pelo que eu, humilde cidadão, observo, é que ele vive meio embananado diante das tarefas que tem diante de si. Imaginem! Fiscalizar, praticamente sozinho, o que se faz e o que se desfaz em matéria de depredação do Meio Ambiente, da Ordem Urbanística e do Patrimônio Cultural na capital! E diz mais a nossa legislação: o Ministério Público é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Seria preciso uma guarnição do Exército, com tanques e mísseis de primeira linha, para enfrentar com sucesso, os depredadores que agem por aqui. Quando penso nesses depredadores, lembro da experiência pela qual passou Jesus Cristo e que vai narrada no capítulo 5 do Evangelho Segundo São Marcos: saindo o Mestre do barco, com o qual navegara em companhia de seus discípulos, acercou-se dele, vindo dos sepulcros, um homem com espírito imundo. E perguntou-lhe Jesus: qual é o seu nome? Respondeu-lhe o homem: Meu nome é Legião, porque somos muitos. Aqui é assim: temos uma legião de depredadores e, para enfrentá-los, quase ninguém. Sexta-feira, o próprio Gérson Barbosa me dizia do seu espanto ao constatar que, na Prefeitura de Cuiabá, praticamente não existem fiscais para coibir as irregularidades que acontecem cidade a fora. São 100 fiscais no quadro mas o próprio prefeito Wilson Santos me confessou que só 6 trabalham, disse o promotor, com olho rútilo e lábio trêmulo, prometendo abrir procedimento judicial contra Wilson para que reverta este quadro tétrico de relaxamento. Há quem diga que Gerson Barbosa vacila na hora de executar as tarefas que a Lei lhe determina. A ONG Moral já denunciou o assoberbado promotor ao Conselho Nacional do MP por, pretensamente, procrastinar, por meses e meses, a denúncia contra a Loja Maçônica comandada pelo desembargador José Ferreira Leite que construiu seu templo, em plena Avenida do CPA, arrasando com a nascente do córrego do Barbado. Prefiro acreditar que Barbosa não tem como desdobrar todas as queixas que se acumulam sobre sua mesa. Nestes dias, vi Gerson Barbosa intervindo em favor de uma ordenação naquela bagunça que é a Praça Popular; denunciando antigos diretores do Colégio Expressão por poluírem o córrego do Canjica; abordando a Ginco por irregularidades em seus loteamentos, na estrada para a Chapada; apoiando a proposta do secretário Archimedes Pereira em favor da despoluição visual de Cuiabá. O gabinete de Gerson Barbosa deveria ser visitado, diariamente, pelos repórteres interessados na defesa de nosso patrimônio ambiental. Uma cobertura mais presente da mídia talvez ajudasse o promotor a desempenhar, com maior brilhantismo, o seu trabalho. Nesse momento, por exemplo, parece que só mesmo uma denúncia de Gerson Barbosa para anular esta dantesca transação, que espantou todo o Brasil, que foi a venda de uma rua, que é patrimônio indisponível do povo, pelo prefeito Wilson Santos, ao supermercado Atacadão. Quando governantes ou governados começam a tratar a coisa pública como se estivéssemos na Casa de Mãe Joana é hora do Gerson Barbosa intervir. O promotor Domingos Sávio Arruda, que chegou a fazer furor nesta área, parece que resolveu se concentrar, atualmente, em galgar posições nas estruturas do MPE e quase não se ouve mais falar dele. Com isso, Domingos Sávio talvez chegue a Procurador Geral da Justiça, enquanto Gerson Barbosa, gordo e suarento, continuará correndo de um lado para o outro e, muitas vezes, tropeçando nas próprias pernas. * ENOCK CAVALCANTI, jornalista, é titular do blog www.paginadoe.com.br em Cuiabá